A AMD acendeu um forte sinal de alerta para toda a indústria de tecnologia. Isso porque, segundo suas projeções mais recentes, deve ocorrer uma desaceleração nas remessas de PCs ao longo do segundo semestre de 2026. Além disso, o segmento de games tende a sofrer um impacto ainda mais intenso. Esse cenário, por sua vez, está diretamente ligado à disparada nos preços de memória RAM — fenômeno que, inclusive, já vem sendo chamado de “RAMpocalypse”, impulsionado principalmente pela crescente demanda da indústria de inteligência artificial.
Games levam o golpe mais duro
Se, por um lado, o mercado de PCs já enfrenta pressão significativa, por outro, o setor de games aparece como o mais vulnerável nesse contexto. Isso acontece porque ele depende fortemente tanto de GPUs quanto de chips utilizados em consoles. Nesse sentido, a linha Radeon, juntamente com os semicondutores presentes em dispositivos como PlayStation 5 e Xbox Series X, está diretamente exposta a essas oscilações.
Além disso, a receita da divisão de gaming da AMD já caiu 15% em relação ao trimestre anterior. Ainda assim, a situação pode se agravar, já que a previsão interna aponta para uma queda superior a 20% no segundo semestre em comparação com o primeiro. De acordo com a CFO Jean Hu, esse recuo já estava dentro das expectativas. No entanto, deve se intensificar justamente por causa do aumento nos custos de memória e de outros componentes essenciais.
Como consequência direta, o impacto já começa a aparecer no consumidor final. Tanto a Microsoft quanto a Sony anunciaram reajustes nos preços de seus consoles. Portanto, caso os custos continuem subindo, novas rodadas de aumento não estão descartadas nos próximos meses.
Lisa Su é direta: segundo semestre será mais difícil
Por outro lado, a CEO Lisa Su reforçou esse cenário desafiador de forma bastante clara. Embora a executiva destaque que a linha Ryzen — especialmente os modelos com tecnologia X3D — continua apresentando forte demanda no curto prazo, a perspectiva muda ao olhar para a segunda metade do ano.
Nesse contexto, a AMD espera que as remessas de PCs diminuam. Isso deve ocorrer, principalmente, por causa do aumento generalizado nos custos de memória e de outros componentes. Ainda assim, a empresa acredita que conseguirá crescer ano a ano no segmento client. Isso porque o portfólio Ryzen segue competitivo, além de contar com uma crescente adoção no mercado corporativo.
Memória escassa, mas AMD tenta se antecipar
Entretanto, a raiz do problema vai além do mercado tradicional de PCs e games. Atualmente, há uma disputa direta por memória RAM entre consumidores e grandes data centers. Isso ocorre porque esses centros demandam volumes cada vez maiores para sustentar aplicações de inteligência artificial.
De acordo com Lisa Su, o ambiente de fornecimento está, de fato, bastante apertado. Ainda assim, a AMD afirma que construiu parcerias sólidas com fornecedores. Dessa forma, a empresa espera garantir fornecimento suficiente para cumprir suas metas, mesmo diante das limitações do mercado.
Porém, o maior impacto está concentrado no setor de data centers, onde a demanda por computação de IA cresce rapidamente. Como resultado, a divisão de Data Center da AMD registrou crescimento de 57% ano a ano no primeiro trimestre, atingindo US$ 5,775 bilhões em receita. Ou seja, a memória disponível no mercado está sendo direcionada, cada vez mais, para infraestrutura de IA.
Consequentemente, esse movimento pressiona os preços para o restante da indústria. Assim, o cenário atual não representa apenas um problema pontual de oferta. Pelo contrário, trata-se de uma mudança estrutural no mercado global de tecnologia, onde diferentes setores passam a competir diretamente pelos mesmos recursos críticos.

