Os ports de Call of Duty: Black Ops e Call of Duty: Black Ops 2 para PS5 se transformaram em um dos maiores sucessos inesperados recentes da franquia, gerando uma situação curiosa: a principal beneficiada pelo fenômeno é justamente a Microsoft, dona da Activision após a aquisição da gigante dos games.
Lançados de surpresa como shadow drop para PS4 e PS5, os dois clássicos rapidamente conquistaram espaço na PlayStation Store e chegaram a superar grandes lançamentos nas paradas da loja, incluindo GTA 6, algo que chamou atenção da indústria e dos jogadores.
Entretanto, o sucesso comercial aconteceu mesmo sem grandes novidades técnicas. De acordo com o canal especializado Digital Foundry, as versões atualizadas podem ser consideradas apenas uma “atualização básica para 1080p”, sem melhorias significativas em desempenho, qualidade gráfica, texturas ou recursos extras que justificassem uma grande expectativa por parte da crítica.
Ainda assim, a resposta do público foi extremamente positiva. Dessa forma, os jogadores demonstraram que existe uma forte demanda por versões modernizadas de títulos clássicos da franquia, mesmo quando as melhorias oferecidas são consideradas limitadas.
Por outro lado, os números oficiais de jogadores ainda não foram divulgados. Além disso, o contador interno de usuários presentes nos jogos foi removido, dificultando uma análise precisa sobre o alcance real desses relançamentos.
Mesmo sem dados confirmados pela Activision, a conta especializada em Call of Duty, CharlieINTEL, afirmou nas redes sociais que, segundo fontes próximas ao assunto, os novos ports para PlayStation teriam registrado mais jogadores simultâneos do que Call of Duty: Black Ops 7 em todas as plataformas combinadas. A informação não recebeu confirmação oficial, mas aumentou ainda mais a repercussão sobre o desempenho dos jogos.
Microsoft lucra com jogos lançados no PlayStation
O aspecto mais curioso da situação envolve justamente a divisão Xbox. Como proprietária da Activision, a Microsoft recebe diretamente parte da receita gerada pelas vendas de Black Ops e Black Ops 2 no PS5, mesmo tendo escolhido não disponibilizar versões atualizadas semelhantes para seus próprios consoles.
Atualmente, jogadores de Xbox One e Xbox Series X|S continuam dependendo das versões disponíveis por retrocompatibilidade, sem receber uma atualização técnica equivalente às lançadas no ecossistema PlayStation. Dessa maneira, a estratégia acabou criando um cenário incomum: usuários de uma plataforma concorrente estão impulsionando os ganhos de uma empresa que controla o Xbox.
Além disso, o sucesso dos ports levanta discussões sobre o futuro dos jogos clássicos da franquia. Muitos fãs defendem que a Microsoft poderia aproveitar melhor seu catálogo, oferecendo versões aprimoradas de títulos antigos no Xbox, com resolução maior, melhorias visuais e disponibilidade individual na loja digital.
Portanto, o desempenho de Call of Duty: Black Ops e Black Ops 2 no PS5 mostra que existe um enorme interesse por experiências clássicas da série. Ao mesmo tempo, reforça um debate sobre como a Microsoft pretende administrar suas grandes franquias após a aquisição da Activision e quais plataformas receberão prioridade no futuro.

