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Consoles viram produto de luxo e agora focam em “famílias de alta renda”, afirma analista

Xbox Series

GTA 6 pode provocar “choque de preço” em jogadores casuais, alerta analista

O lançamento de Grand Theft Auto VI está marcado para 19 de novembro e, naturalmente, a expectativa da indústria é gigantesca. Afinal, o novo título da Rockstar Games promete movimentar milhões de unidades vendidas logo nos primeiros meses. No entanto, junto da empolgação, começa a surgir também uma preocupação importante: o preço dos consoles necessários para rodar o jogo pode afastar parte significativa do público casual.

Segundo Mat Piscatella, analista da Circana, muitos consumidores que não acompanham o mercado de games diariamente podem acabar levando um verdadeiro susto ao tentar comprar um videogame para jogar GTA 6. Além disso, os preços atuais já são considerados elevados e, consequentemente, ainda existe a possibilidade de novos reajustes nos próximos meses.

Jogadores casuais podem encontrar consoles de até US$ 1.000

Durante participação no programa The Game Business, Piscatella comentou que existe uma enorme parcela de consumidores que simplesmente sabem que GTA 6 está chegando, mas, por outro lado, não acompanham o cenário da indústria. Dessa forma, essas pessoas podem ser surpreendidas ao descobrir quanto custa entrar na nova geração.

De acordo com o analista, o cenário pode chegar a extremos preocupantes. Inclusive, em suas palavras, não seria absurdo imaginar consoles custando até US$ 1.000 caso novos aumentos aconteçam até o lançamento do jogo.

Além disso, ele destaca que boa parte desse público costuma comprar videogames apenas em grandes ocasiões, especialmente em lançamentos históricos como GTA 6. Entretanto, diferentemente das gerações anteriores, o acesso ao hardware está cada vez mais caro. Ou seja, aquilo que antes era considerado entretenimento relativamente acessível agora exige um investimento muito maior.

Consoles deixaram de ser produtos de massa

Piscatella também afirma que o mercado mudou drasticamente nos últimos anos. Segundo ele, os consoles estão deixando de ser dispositivos populares e acessíveis para se tornarem produtos voltados principalmente às famílias de alta renda.

Atualmente, o analista aponta que mais da metade dos compradores de hardware gamer possuem renda domiciliar acima de US$ 100 mil anuais. Enquanto isso, o preço médio dos consoles praticamente dobrou em poucos anos, saltando de cerca de US$ 250 em 2019 para valores que já ultrapassam a faixa dos US$ 500.

Consequentemente, o setor passa por uma transformação econômica significativa. Em outras palavras, o que antes era considerado entretenimento de massa agora começa a assumir características de mercado premium. Além disso, esse movimento preocupa empresas e consumidores, já que o público potencial pode diminuir gradualmente.

Nintendo, Sony e Microsoft enfrentam o mesmo problema

O aumento dos preços, porém, não afeta apenas uma fabricante. Tanto a Sony quanto a Microsoft e a Nintendo enfrentam desafios semelhantes diante do encarecimento dos componentes e da inflação global.

Recentemente, inclusive, a Nintendo confirmou reajustes envolvendo o Nintendo Switch 2, reforçando ainda mais a percepção de que o hardware gamer está entrando em uma faixa de preço cada vez menos acessível.

Ao mesmo tempo, consoles como o PlayStation 5 e o Xbox Series X continuam mantendo preços elevados mesmo após anos de lançamento. Assim, o consumidor casual encontra cada vez mais dificuldades para entrar na atual geração.

PS6 e próximo Xbox podem agravar ainda mais o cenário

O alerta de Piscatella também mira a próxima geração. Segundo ele, caso futuros consoles como o PlayStation 6 e o Project Helix, suposto codinome do próximo Xbox, cheguem ao mercado custando entre US$ 1.000 e US$ 1.200, a indústria poderá enfrentar uma redução significativa na base de usuários.

Consequentemente, isso teria impacto direto sobre os jogos AAA. Afinal, com menos pessoas comprando consoles, os altos custos de desenvolvimento se tornariam ainda mais difíceis de recuperar.

Nesse cenário, as empresas poderiam depender cada vez mais de lançamentos multiplataforma simultâneos. Dessa maneira, a quantidade de exclusivos poderia diminuir gradualmente, enquanto as publishers buscariam maximizar vendas e garantir sustentabilidade financeira aos projetos mais caros da indústria.

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