A decisão da Sony de encerrar sua participação em PHYSINT, o novo projeto de espionagem de Hideo Kojima, pegou muitos jogadores de surpresa. No entanto, ao analisar os números mais recentes da franquia Death Stranding, surge uma possível explicação para a escolha da empresa: o retorno financeiro pode não ter sido tão atraente quanto o esperado para justificar mais um investimento multimilionário.
A hipótese foi levantada por Rhys Elliott, chefe de análise de mercado da Alinea Analytics, que avaliou o desempenho comercial dos jogos da série e os possíveis impactos dessa performance na relação entre a Sony e a Kojima Productions. É importante destacar que não existe qualquer confirmação oficial de que as vendas de Death Stranding 2 tenham motivado o cancelamento da parceria. A Sony não revelou os motivos por trás da decisão. Ainda assim, os dados ajudam a entender por que um novo projeto ambicioso de Kojima poderia ter sido visto como um risco elevado dentro da companhia.
From a strictly financial perspective, I can understand Sony’s decision to divest from Physint . In a vacuum, anyway. PR and optics still matter. And right now, quite a bit.
— Rhys Elliott (@superhys) September 10, 2026
Death Stranding 2 has sold 2.5M copies, 1.8M on PlayStation and 700K on Steam (@alineaanalytics… pic.twitter.com/Aqnqz37FQU
De acordo com as estimativas mais recentes da Alinea Analytics, Death Stranding 2 já teria vendido cerca de 2,5 milhões de cópias, sendo aproximadamente 1,8 milhão no PlayStation e 700 mil no Steam. A receita bruta gerada entre as duas plataformas estaria próxima de US$ 170 milhões.
À primeira vista, os números parecem sólidos. O problema surge quando eles são comparados ao tamanho do investimento necessário para produzir um título desse porte. Meses antes, em junho de 2026, a própria Alinea Analytics classificou o desempenho do jogo como relativamente modesto para um lançamento associado ao PlayStation Studios. Na época, a estimativa apontava cerca de 1,7 milhão de unidades vendidas no PS5, gerando aproximadamente US$ 116 milhões em receita. Com a chegada da versão para PC, os números cresceram, mas ainda ficaram abaixo do que muitos analistas esperavam de uma produção desse calibre.
O custo da franquia pode ter pesado na balança
Embora Sony e Kojima Productions nunca tenham divulgado os valores oficiais de desenvolvimento, estimativas da indústria sugerem que o primeiro Death Stranding tenha custado cerca de US$ 100 milhões, enquanto Death Stranding 2 pode ter exigido um orçamento entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, impulsionado pelo longo ciclo de produção, pelos impactos da pandemia e pelo aumento generalizado dos custos de desenvolvimento AAA.
Segundo Elliott, a franquia provavelmente gerou lucro ao longo dos anos, mas sem apresentar uma margem extraordinária para um investimento desse tamanho. Somando os dois jogos, a série teria arrecadado aproximadamente US$ 413 milhões em receita desde sua estreia em 2016.
Com base nessas projeções, o retorno sobre o investimento estaria entre 18% e 38%. Embora seja um resultado positivo, ele pode não ser suficiente para convencer uma gigante como a Sony a apostar novamente centenas de milhões de dólares em outro projeto de risco elevado.
PHYSINT promete ser uma produção ainda mais ambiciosa
Outro fator relevante é a própria escala de PHYSINT. Desde sua apresentação em 2024, Hideo Kojima descreve o título como uma experiência de espionagem de nova geração, capaz de unir videogame e cinema de uma forma inédita.
Levando em consideração o histórico do diretor, conhecido por projetos extremamente ambiciosos e caros, muitos analistas acreditam que PHYSINT poderia exigir um orçamento igual ou até superior ao de Death Stranding 2. Em um cenário onde as grandes editoras estão cada vez mais focadas em controlar custos e maximizar retorno financeiro, assumir um compromisso desse tamanho pode ter sido considerado arriscado demais.
Naturalmente, tudo isso permanece no campo das especulações. Não existe qualquer evidência concreta ligando diretamente o desempenho de Death Stranding 2 ao fim da parceria. Ainda assim, os números ajudam a construir uma narrativa que faz sentido do ponto de vista corporativo.
A coincidência das datas alimenta as especulações
Um detalhe que chamou atenção foi o momento em que a decisão aconteceu. Segundo o próprio Hideo Kojima, a Kojima Productions recebeu a comunicação da PlayStation Studios sobre o encerramento de PHYSINT em junho de 2026, justamente quando começaram a surgir análises indicando que Death Stranding 2 caminhava para um resultado comercial apenas razoável diante de seu enorme orçamento.
Kojima revelou que ficou surpreso com a decisão e passou os meses seguintes em busca de uma nova parceira para viabilizar o projeto. O estúdio acabou chegando a um acordo com o Xbox, que assumirá a publicação de PHYSINT e ampliará sua colaboração com a Kojima Productions, iniciada anteriormente com OD.
A coincidência temporal não prova nenhuma relação direta entre os acontecimentos. No entanto, para muitos observadores da indústria, ela torna difícil ignorar a possibilidade de que o desempenho de Death Stranding 2 tenha, ao menos, influenciado a avaliação de risco feita pela Sony. Se isso realmente aconteceu, provavelmente nunca saberemos. Mas os números mostram que a decisão pode ter sido muito mais financeira do que criativa.

