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Desenvolvedor critica os lucros da Activision com versões clássicas de Call of Duty e questiona a estratégia da empresa

Call of Duty Black Ops 2

O sucesso comercial de Call of Duty: Black Ops e Call of Duty: Black Ops II reacendeu o debate sobre a remuneração dos profissionais responsáveis por grandes franquias da indústria dos games. Gavin Goslin, ex-desenvolvedor da Treyarch que trabalhou nos dois títulos, criticou o fato de a Activision e a Microsoft continuarem lucrando com jogos lançados há mais de uma década, enquanto, segundo ele, os criadores originais não recebem uma parcela das novas vendas.

As declarações foram publicadas por Goslin no LinkedIn após o relançamento dos dois jogos para PlayStation 4 e PlayStation 5, em julho de 2026. As novas versões chegaram ao mercado sem grandes mudanças em relação aos lançamentos originais, mas conseguiram atrair novamente um grande público, interessado em reviver a experiência dos clássicos da franquia.

Desenvolvedor pede royalties para criadores dos jogos clássicos

Gavin Goslin afirmou que o desempenho comercial dos relançamentos demonstra como os jogos antigos continuam relevantes para o público. Entretanto, o ex-integrante da Treyarch considera injusto que os responsáveis pelo desenvolvimento não recebam uma compensação adicional quando essas produções voltam a gerar receitas expressivas.

Segundo informações publicadas pelo site Video Games Chronicle (VGC), os dois títulos venderam, juntos, cerca de 11,2 milhões de cópias em julho de 2026, gerando aproximadamente US$ 435 milhões em receita estimada, de acordo com dados atribuídos à Alinea Analytics. Além disso, Call of Duty: Black Ops II chegou ao topo da lista dos jogos mais vendidos dos Estados Unidos naquele mês.

Para Goslin, esses números reforçam a importância de reconhecer financeiramente os profissionais que ajudaram a construir o sucesso da franquia. O desenvolvedor também relembrou as longas jornadas de trabalho e os períodos intensos de produção enfrentados pela equipe durante o desenvolvimento dos jogos.

Em sua publicação, ele defendeu que parte da riqueza gerada pelos títulos clássicos seja compartilhada retroativamente com os profissionais envolvidos em sua criação. Na visão do desenvolvedor, se os jogos continuam gerando receitas muitos anos após o lançamento, seus criadores também deveriam receber recompensas por essa contribuição.

Relançamentos reacendem debate sobre a indústria dos games

A crítica também destaca uma questão mais ampla sobre o modelo de remuneração no setor de videogames. Diferentemente de alguns sistemas de royalties existentes em outras indústrias do entretenimento, os profissionais de desenvolvimento de jogos nem sempre recebem pagamentos recorrentes quando os títulos dos quais participaram continuam sendo comercializados.

No caso de Black Ops e Black Ops II, as versões para PS4 e PS5 foram lançadas por US$ 39,99 cada, sem incluir mudanças significativas ou os conteúdos adicionais pagos das edições originais. Mesmo assim, a procura pelos jogos demonstrou a força da nostalgia e o interesse dos jogadores pelas experiências clássicas de Call of Duty.

Até o momento, as declarações de Goslin representam sua posição sobre a distribuição dos ganhos, e não uma confirmação independente de todos os contratos ou acordos de remuneração dos antigos integrantes da equipe. Ainda assim, o caso levanta uma discussão relevante: como garantir que os profissionais responsáveis por grandes sucessos também sejam valorizados quando suas criações continuam lucrando anos depois?

 

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