O diretor de Clair Obscur: Expedition 33, Guillaume Broche, entrou em um dos debates mais antigos da indústria dos games e deixou clara sua posição. Para ele, os JRPGs (RPGs japoneses) possuem uma vantagem importante sobre muitos RPGs ocidentais: a capacidade de entregar narrativas mais impactantes e personagens inesquecíveis.
Em entrevista ao Automaton Media, Broche explicou que a estrutura linear tradicional dos JRPGs permite aos desenvolvedores construir histórias mais coesas e emocionalmente envolventes. Segundo ele, essa abordagem favorece o desenvolvimento dos protagonistas e fortalece a conexão dos jogadores com o universo apresentado.
RPGs ocidentais e JRPGs seguem filosofias diferentes
Para Guillaume Broche, o termo RPG é amplo demais para definir uma única experiência. Quando fala sobre RPGs ocidentais, ele cita franquias como Baldur’s Gate, Fallout e The Elder Scrolls V: Skyrim como exemplos claros do gênero.
Segundo o diretor, esses jogos colocam o jogador no centro da narrativa, oferecendo liberdade para moldar a jornada por meio de escolhas que afetam personagens, eventos e até mesmo o desfecho da história.
“Os WRPGs deixam você construir sua própria história”, resumiu Broche.
Essa liberdade é justamente um dos elementos mais valorizados pelos fãs de RPGs ocidentais. Afinal, cada decisão pode gerar consequências diferentes, tornando cada partida única.
Por que os JRPGs contam histórias mais fortes?
Apesar de reconhecer os méritos dos RPGs ocidentais, Broche acredita que os JRPGs conseguem entregar narrativas mais poderosas justamente por serem mais lineares.
“A história contada é bastante linear”, afirmou o diretor. No entanto, ele vê isso como uma vantagem, e não como uma limitação.
Segundo Broche, a existência de protagonistas definidos, com personalidade, objetivos e arcos narrativos próprios, permite criar histórias mais profundas e emocionalmente marcantes.
“Você tem um protagonista, você tem os personagens. Sinto que isso permite contar uma história mais forte e criar personagens mais memoráveis”, explicou.
Enquanto muitos protagonistas de RPGs ocidentais funcionam como avatares para o jogador, os heróis dos JRPGs costumam possuir identidade própria. Como resultado, suas jornadas tendem a apresentar desenvolvimento mais consistente do início ao fim.
A linearidade como ferramenta narrativa
Broche também destacou que a principal diferença entre os dois estilos está na forma como a narrativa é conduzida.
Nos RPGs ocidentais, o jogador frequentemente assume o controle da direção da história. Já nos JRPGs, embora existam escolhas secundárias, a trama principal segue um caminho definido pelos desenvolvedores.
“Nos JRPGs, você tem algumas escolhas menores, mas, em geral, a história é linear. O fim é o fim e o começo é o começo, do A ao Z”, afirmou.
Para o diretor, essa estrutura permite que os criadores mantenham um controle maior sobre o ritmo da narrativa, os momentos emocionais e a evolução dos personagens.
O sucesso de Clair Obscur reforça essa filosofia
As declarações de Broche ganham ainda mais relevância diante do enorme sucesso de Clair Obscur: Expedition 33. Desenvolvido pela Sandfall Interactive, o RPG conquistou elogios da crítica e do público, sendo apontado por muitos como um dos melhores jogos do ano.
Entre os aspectos mais celebrados estão justamente a qualidade da narrativa, o desenvolvimento dos personagens e o forte apelo emocional da história, elementos que refletem diretamente a filosofia defendida pelo diretor.
Enquanto isso, o futuro da Sandfall Interactive permanece cercado de mistério. Ainda assim, o estúdio já indicou que pretende explorar ideias ainda mais ambiciosas em seu próximo projeto. Segundo a equipe, a meta é “sonhar novamente” e levar a criatividade a novos patamares, algo que certamente aumentará as expectativas dos fãs para o próximo jogo do estúdio.

