A Electronic Arts (EA) pode estar cada vez mais próxima de deixar de operar como uma empresa independente. De acordo com uma reportagem da Bloomberg, os novos proprietários sauditas da companhia estudam a possibilidade de integrar a publicadora à Savvy Games Group, braço de investimentos em jogos criado pelo Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita.
A informação surge menos de um mês após a conclusão da aquisição que retirou a EA da bolsa de valores. O negócio, fechado em 4 de agosto, foi avaliado em aproximadamente US$ 55 bilhões e marcou uma das maiores transações da história da indústria dos games.
Até o momento, nem a EA nem representantes do PIF comentaram oficialmente o assunto. A própria Bloomberg ressalta que nenhuma decisão definitiva foi tomada e que qualquer movimento mais concreto deve ocorrer apenas após a conclusão de outra grande negociação conduzida pela Savvy Games: a compra da desenvolvedora chinesa Moonton, responsável pelo fenômeno mobile Mobile Legends, em um acordo estimado em US$ 6 bilhões.
Uma potência global dos videogames
Caso a fusão seja aprovada, a nova estrutura daria origem a uma das maiores empresas de entretenimento digital do planeta, reunindo ativos de enorme relevância em diferentes segmentos da indústria.
A Savvy Games já controla a ESL FACEIT Group, considerada uma das maiores organizações de esports do mundo, além da Scopely, gigante do mercado mobile responsável por sucessos como Pokémon Go e Monopoly Go!. Ao mesmo tempo, a EA possui algumas das franquias mais valiosas dos videogames, incluindo EA Sports FC, Madden NFL, NHL, The Sims, Battlefield e Dragon Age.
A combinação desses portfólios criaria uma companhia com forte presença nos mercados de jogos para consoles, PC, dispositivos móveis e esports, ampliando significativamente a influência saudita no setor global de entretenimento interativo.
Incerteza cresce entre os funcionários
Enquanto investidores acompanham os possíveis desdobramentos da operação, a situação tem gerado preocupação dentro da própria EA. Desde o anúncio da aquisição, relatos apontam que funcionários temem uma reestruturação ampla da companhia, incluindo possíveis cortes de pessoal.
Parte dessas preocupações está ligada à meta apresentada pela empresa a seus novos credores, que prevê uma redução de aproximadamente US$ 700 milhões em custos anuais. Embora a liderança da EA tenha afirmado internamente que a empresa continuará comprometida com sua filosofia criativa e com sua abordagem centrada nos jogadores, a possibilidade de uma fusão com a Savvy Games aumentou as dúvidas sobre o futuro da organização.
Além dos receios financeiros, há também questionamentos sobre a autonomia criativa dos estúdios. Segundo relatos, alguns colaboradores temem que determinados projetos possam enfrentar obstáculos caso não estejam alinhados às diretrizes e interesses dos novos controladores sauditas.
Se confirmada, a fusão representaria uma transformação histórica para a Electronic Arts, encerrando mais de quatro décadas de atuação como uma das maiores publicadoras independentes da indústria e consolidando ainda mais a presença da Arábia Saudita no mercado global de games.

