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“Eles nos tratam como crianças”: funcionários da Ubisoft declaram guerra à gerência

Ubisoft à beira da greve: funcionários dizem ser tratados “como crianças”

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“Como crianças sob a supervisão” de uma gestão irresponsável: é assim que funcionários da Ubisoft descrevem suas experiências com a editora francesa às vésperas de uma greve. E, embora a frase pareça dura, ela reflete com precisão o clima interno que vem se intensificando. Afinal, nos últimos meses, a empresa passou a ser alvo de críticas não apenas externas, mas também internas.

Atualmente, a Ubisoft vive um cenário que muitos consideram típico: uma gigante do setor perdendo relevância e, ao mesmo tempo, enfrentando uma crise de confiança. Apesar de possuir franquias históricas e marcas extremamente populares, a companhia não conseguiu entregar um grande sucesso recente que reposicionasse seu nome no topo. Por isso, Assassin’s Creed: Shadows acabou sendo encarado como uma chance decisiva para provar que a Ubisoft ainda podia competir de igual para igual.

No entanto, mesmo que o jogo não tenha tido um desempenho ruim, com o passar do tempo ficou evidente que ele também não foi o sucesso estrondoso que os franceses precisavam. Dessa forma, a situação permaneceu delicada — e, consequentemente, a pressão aumentou.

Demissões, cancelamentos e reestruturação aumentam a crise interna

Como resultado, as ações recentes da Ubisoft passaram a confirmar a gravidade do momento. Houve grandes demissões, além de planos para novos cortes, cancelamento de seis projetos e mudanças profundas na estrutura da empresa. Ou seja, em vez de estabilidade, o que se instalou foi uma sensação constante de incerteza.

Em teoria, a reestruturação teria como objetivo ajudar a Ubisoft a criar jogos e gerenciar projetos com mais eficiência. Entretanto, segundo os próprios funcionários, essas mudanças não parecem focadas em melhorar a situação a longo prazo. Principalmente porque vêm acompanhadas não apenas de demissões significativas, mas também de incentivos para que pessoas deixem a empresa “voluntariamente”, além de anúncios de novas reduções de vagas.

Assim, a confiança interna foi sendo corroída. Além disso, muitos passaram a enxergar as medidas como um esforço para reduzir custos a qualquer preço.

“Somos tratados como crianças”: sindicatos acusam gestão e cobram responsabilidade

Diante disso, veio o anúncio da greve, sobre a qual já se falava anteriormente. Contudo, vale lembrar que os protestos começaram antes, graças ao Solidaires Informatique, que incentivou uma greve de um dia em 22 de janeiro. Ainda mais importante: esta não é a primeira iniciativa do sindicato, já que o grupo já convocou ações semelhantes em anos anteriores.

Agora, o Solidaires Informatique uniu forças com outras quatro associações: CFE-CGC, Confédération Générale du Travail, Printemps écologique e Le Syndicat des Travailleureuses du Jeu Vidéo. Assim, cinco sindicatos estão convocando uma greve geral dos funcionários da Ubisoft. O objetivo, portanto, é protestar contra as mudanças internas, incluindo o retorno integral ao escritório — ou seja, o abandono quase total do trabalho remoto — e, além disso, denunciar o que chamam de irresponsabilidade administrativa.

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Segundo o comunicado, “Prometeram-nos autonomia para as Casas Criativas, mas e a autonomia para os funcionários? Cinco dias de trabalho presencial obrigatório: somos tratados como crianças que precisam de supervisão, enquanto a nossa gestão sai impune com mentiras e infrações à lei”.

Além disso, os sindicatos afirmam que negociam a política de trabalho remoto há mais de um ano, muitas vezes em condições difíceis. Em alguns estúdios, inclusive, já existia acordo desde setembro. Ainda assim, segundo eles, esses acordos foram ignorados. Enquanto isso, trabalhadores em unidades sem acordo teriam ficado à mercê de decisões arbitrárias.

Ou seja, embora a empresa fale em responsabilidade, os sindicatos argumentam que a gestão não assume as consequências de suas decisões. Como exemplo, citam a eliminação recente de 200 postos de trabalho na sede.

Greve internacional em fevereiro pode atingir relatório fiscal da Ubisoft

Por fim, com a paciência esgotada após mais um ano considerado improdutivo, foi anunciada uma “greve internacional em massa” para o período de 10 a 12 de fevereiro. Conforme observado pelo PC Gamer, a paralisação coincide com a divulgação do relatório fiscal trimestral da Ubisoft em 12 de fevereiro.

Dessa forma, existe a possibilidade de os sindicatos estarem tentando evitar que a empresa desvie o foco das críticas por meio de números financeiros e discursos otimistas sobre sua “revolução interna”.

Contudo, a real dimensão internacional da greve ainda permanece incerta. Afinal, as situações sindicais fora da França variam bastante. Portanto, os efeitos concretos dos apelos e da mobilização devem ficar mais claros nas próximas semanas.

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