Epic Games Store reconhece força do Steam, mas ainda mira crescimento agressivo no PC
A Epic Games Store deixou claro que não pretende derrubar o Steam como líder absoluto do mercado de jogos no PC. Ainda assim, a empresa segue com metas ambiciosas e quer ampliar significativamente sua presença nos próximos anos. A declaração foi feita por Steve Allison, gerente geral da plataforma, durante uma entrevista ao site GamesIndustry, na qual ele reconheceu sem rodeios a dominância da Valve no ecossistema.
Segundo Allison, o Steam já se tornou parte essencial do PC gaming e, por isso, dificilmente perderá essa posição no curto ou médio prazo. “O Steam é uma parte enorme do ecossistema PC. Não vai desaparecer. Nós não vamos superar o Steam”, afirmou. Apesar disso, o executivo deixou implícito que a Epic não pretende recuar. Pelo contrário, o plano é crescer dentro do espaço que ainda existe no mercado.
Resultados de 2025 reforçam a expansão da Epic no PC
Mesmo com esse discurso realista, o relatório anual da Epic Games Store mostra que a plataforma encerrou 2025 em alta. De acordo com os dados divulgados, a loja atingiu 317 milhões de usuários de PC e registrou um pico de 78 milhões de usuários ativos mensais em dezembro de 2025. Esse resultado, por sua vez, coincidiu com uma das campanhas mais agressivas da empresa, que ofereceu Hogwarts Legacy gratuitamente, o que ajudou a impulsionar cadastros e acessos.
Além disso, as vendas de jogos de terceiros cresceram de forma expressiva. Segundo a Epic, houve um aumento de 57% nesse segmento em comparação ao ano anterior. Ou seja, a loja não apenas atraiu mais usuários, como também conseguiu ampliar o consumo de títulos fora do seu catálogo próprio.
Engajamento caiu, porém jogos de terceiros ganharam espaço
Por outro lado, nem todos os indicadores foram positivos. O tempo total de jogo dentro da plataforma caiu 14%, sugerindo que uma parcela do público está acessando a loja, mas jogando menos do que em anos anteriores.
Ainda assim, a situação não é totalmente negativa. Enquanto o engajamento com títulos proprietários como Fortnite e Rocket League apresentou queda, o uso de jogos de terceiros aumentou 4%. Dessa forma, a Epic parece estar se consolidando como uma vitrine mais forte para outras publicadoras, e não apenas como um hub para seus próprios jogos.
Epic admite críticas e, por isso, promete reconstrução total do launcher
Durante a entrevista, Allison também abordou um dos pontos mais criticados pelos jogadores: a qualidade do launcher da Epic. Nesse sentido, ele reconheceu que as reclamações são frequentes e, em muitos casos, justas.
“Recebemos muitas críticas. Eu odeio lê-las, mas também as aprecio. Elas não são inverídicas”, declarou. Em seguida, o executivo explicou que o programa foi construído sobre uma base antiga, criada originalmente apenas para suportar jogos como Fortnite e Paragon. Com o tempo, a loja cresceu em cima dessa estrutura, o que acabou gerando limitações técnicas.
Novo launcher promete carregamento quase instantâneo
Diante desse cenário, a Epic decidiu abandonar a fundação antiga e criar uma versão completamente nova do launcher. Segundo Allison, a promessa é que as bibliotecas de jogos passem a carregar quase instantaneamente, algo que hoje ainda é visto como uma vantagem clara do Steam.
Além disso, a nova versão deve chegar entre maio e junho deste ano. Assim, a empresa tenta reposicionar a experiência da loja para um patamar mais competitivo, especialmente para quem cobra uma interface mais rápida e eficiente.
Mobile e metas ousadas: Epic mira 100 milhões de usuários mensais
Por fim, Allison destacou que a expansão da Epic Games Store no mobile, iniciada em agosto de 2024, deve ser um dos pilares do crescimento futuro. Ao mesmo tempo, o PC segue como foco principal no médio prazo.
O executivo afirmou acreditar que a Epic pode alcançar 100 milhões de usuários ativos mensais nos próximos quatro anos e chegar a 20% a 30% de participação nos gastos do mercado de jogos para computador. Portanto, mesmo sem a expectativa de superar o Steam, a Epic pretende se manter agressiva, buscando espaço, relevância e, principalmente, maior fatia do consumo no PC.