Ex-dev de Call of Duty afirma que Activision pressionou por campanha envolvendo Irã e Israel
A franquia Call of Duty voltou ao centro de uma nova polêmica que ultrapassa o universo dos videogames. Inicialmente, a discussão ganhou força após declarações de Chance Glasco, um dos desenvolvedores originais responsáveis pela fundação da Infinity Ward no início dos anos 2000. Segundo ele, a Activision teria pressionado o estúdio a desenvolver uma campanha baseada em um cenário fictício no qual o Irã invadiria Israel.
Além disso, a revelação surgiu em um momento particularmente delicado. Isso porque a conta oficial da Casa Branca no X publicou um vídeo que utilizava elementos visuais semelhantes aos da interface de Call of Duty, incluindo minimapa e notificações de experiência (XP). Como resultado, o conteúdo rapidamente chamou a atenção de jogadores, jornalistas e profissionais da indústria.
Consequentemente, o episódio reacendeu discussões antigas sobre a relação entre videogames militares e temas geopolíticos reais. Afinal, ao longo dos anos, a série já abordou conflitos inspirados em eventos históricos, o que frequentemente gera debates sobre os limites narrativos dentro do entretenimento digital.
https://x.com/ChanceGlasco/status/2029343766092423298?s=20
Contexto geopolítico amplia repercussão
Enquanto isso, o cenário internacional ajudou a ampliar ainda mais a repercussão do caso. Recentemente, Estados Unidos e Israel teriam realizado ataques coordenados contra alvos no Irã durante o fim de semana anterior. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones em diversas áreas da região, incluindo locais próximos a aeroportos civis.
Diante desse contexto, o vídeo publicado pela Casa Branca acabou sendo interpretado por parte do público como uma tentativa de comunicação que mistura linguagem militar com estética de videogames. Por esse motivo, a postagem rapidamente viralizou nas redes sociais.
Foi justamente nesse momento que Chance Glasco decidiu comentar o assunto publicamente. O ex-animador da franquia explicou que a situação não o surpreendeu. De acordo com ele, após mudanças internas importantes no estúdio, surgiu uma pressão incomum da Activision para que um novo título da série explorasse um enredo envolvendo o Irã atacando Israel.
No entanto, Glasco afirmou que a maioria dos desenvolvedores reagiu negativamente à ideia. Assim, muitos membros da equipe consideraram a proposta desconfortável e potencialmente problemática. Por fim, o conceito acabou sendo descartado antes de avançar para qualquer fase de desenvolvimento.
O racha que mudou a Infinity Ward
Para entender melhor esse período, é necessário voltar a 2010. Naquele momento, dois nomes fundamentais da Infinity Ward foram demitidos pela Activision: Jason West e Vince Zampella. Na época, a editora acusou os executivos de insubordinação, o que provocou uma grande crise interna no estúdio.
Logo depois, West e Zampella fundaram a Respawn Entertainment. Como consequência, vários desenvolvedores da Infinity Ward decidiram deixar o estúdio para acompanhar os fundadores em sua nova empresa.
Portanto, foi justamente nesse período de reorganização e instabilidade que, segundo Glasco, surgiu a pressão para criar uma campanha com temática envolvendo Irã e Israel. Assim, o episódio voltou a levantar discussões importantes sobre o grau de influência das grandes editoras nas decisões criativas de franquias gigantes da indústria dos videogames.
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