A declaração do ex-diretor jurídico geral da Bungie, Don McGowan, reacendeu discussões importantes sobre os bastidores da indústria de games. Afinal, um dos nomes diretamente envolvidos na aquisição do estúdio pela Sony por US$ 3,6 bilhões decidiu vir a público afirmar que seus piores receios estão, de fato, se concretizando. Em publicação recente no LinkedIn, ele descreveu a desenvolvedora não mais como um estúdio criativo independente, mas sim como um possível “braço editorial” da Sony Interactive Entertainment.
Além disso, o momento da declaração não poderia ser mais delicado. Isso porque a Bungie confirmou que o “desenvolvimento ativo” de Destiny 2 será encerrado após uma atualização final prevista para 9 de junho. Ainda que o jogo continue acessível aos jogadores, o fim do suporte contínuo marca uma virada significativa para a comunidade. Paralelamente, um relatório da Bloomberg aponta que novas demissões podem ocorrer, especialmente entre funcionários que não forem realocados para o desenvolvimento de Marathon.
Enquanto isso, McGowan não suavizou o tom ao comentar a situação. Segundo ele, é difícil aceitar o rumo tomado por um dos estúdios mais influentes da indústria. Em suas palavras, a empresa estaria se afastando daquilo que a tornou relevante: a criação de mundos marcantes. Em vez disso, na visão do ex-executivo, o estúdio corre o risco de se tornar apenas uma estrutura de apoio editorial, com produção criativa reduzida e menos protagonismo no cenário global.
Por outro lado, mesmo diante das críticas, ele reconheceu o impacto cultural de Destiny 2. Embora tenha admitido não ser fã do gênero FPS, destacou que o jogo teve papel importante na vida de muitos jogadores, especialmente durante os períodos de isolamento da pandemia de COVID-19. Além disso, ressaltou como o título influenciou a indústria de diversas formas, criando tendências que ainda reverberam no mercado atual. Ainda assim, sua preocupação maior permanece com o possível impacto humano, especialmente em relação a eventuais demissões em massa.
Histórico recente levanta ainda mais dúvidas
Desde a aquisição concluída em 2022, a trajetória da Bungie tem sido marcada por instabilidade. Inicialmente, a promessa era de autonomia criativa sob a gestão da Sony. No entanto, ao longo do tempo, sinais de dificuldades começaram a surgir. Em 2023, por exemplo, cerca de 200 funcionários foram desligados, indicando ajustes internos significativos.
Além disso, relatórios financeiros recentes revelaram que a Sony registrou uma desvalorização de aproximadamente US$ 765 milhões relacionada ao desempenho da subsidiária. Consequentemente, o cenário atual reforça a percepção de que a aquisição não atingiu plenamente as expectativas iniciais.
Agora, com o encerramento do ciclo ativo de Destiny 2 e o foco direcionado para Marathon, o futuro do estúdio passa a depender quase exclusivamente do sucesso desse novo projeto. Segundo o jornalista Jason Schreier, não há outros jogos relevantes em desenvolvimento no momento, e um possível Destiny 3 não está nos planos atuais. Dessa forma, o próximo lançamento pode ser decisivo não apenas para o desempenho financeiro, mas também para redefinir o papel da Bungie dentro do ecossistema da Sony Interactive Entertainment.

