As demissões em massa continuam abalando a indústria dos games em 2026, e as críticas aos executivos do setor estão se tornando cada vez mais contundentes. Desta vez, quem chamou atenção foi Dave Gallacher, gerente de QA da Arrowhead Game Studios, estúdio responsável por Helldivers 2. Em uma publicação no LinkedIn, o profissional fez duras acusações contra a gestão da Ubisoft e do grupo Embracer, responsabilizando a liderança das empresas pelo cenário de cortes que afeta milhares de desenvolvedores ao redor do mundo.
Gallacher, que trabalhou por cerca de uma década na DICE antes de ingressar na Arrowhead este ano, não mediu palavras ao comentar a situação atual da indústria. Segundo ele, decisões motivadas por ganância e má administração contribuíram diretamente para a onda de demissões que vem atingindo alguns dos maiores estúdios do mercado.
Gerente da Arrowhead critica Ubisoft e Embracer
Em sua publicação, Gallacher afirmou que os principais problemas da indústria estão ligados à forma como o dinheiro vem sendo administrado pelas grandes corporações do setor.
“Cada ponto estrutural da nossa indústria é controlado por dinheiro, e aqueles que o têm foram idiotas gananciosos pelos últimos 10 anos ou mais”, escreveu o gerente da Arrowhead.
Em seguida, ele direcionou suas críticas à Ubisoft e ao grupo Embracer, duas empresas que passaram por extensos processos de reestruturação nos últimos anos.
“Como as lideranças da Ubisoft e da Embracer não estão presas é algo que absolutamente me escapa, pelas táticas suspeitas que usaram, e as vítimas são justamente esses milhares de desenvolvedores talentosos que esperamos que consigam conjurar dinheiro do éter para abrir estúdios”, declarou.
As falas rapidamente repercutiram entre profissionais da indústria e jogadores, principalmente por refletirem um sentimento crescente de insatisfação com a gestão das grandes publishers.
“Cada ano fica pior”, afirma Gallacher
Entretanto, essa não é a primeira vez que o gerente demonstra preocupação com o estado atual do mercado. Durante a recente onda de cortes promovida pela Microsoft na divisão Xbox, Gallacher já havia alertado sobre o agravamento da crise.
Na ocasião, a Microsoft anunciou aproximadamente 3.200 demissões, em uma reestruturação considerada uma das maiores da história da marca Xbox.
Segundo o profissional, o cenário vem se deteriorando ano após ano.
“Pelos últimos três anos, tenho usado a frase ‘esse ano vai ser um banho de sangue’ em relação à indústria de games. E, de alguma forma, fica pior a cada ano”, afirmou.
A declaração reflete uma preocupação compartilhada por diversos desenvolvedores, especialmente após sucessivas rodadas de cortes registradas desde 2022.
Os números por trás da crise na indústria
Os dados reforçam a gravidade do cenário descrito por Gallacher. A Ubisoft já acumula cerca de 4 mil demissões desde 2022, enquanto o grupo Embracer protagonizou uma das maiores reestruturações da história recente dos videogames.
Após uma série de aquisições bilionárias, a Embracer iniciou um amplo programa de cortes que resultou no fechamento de estúdios, cancelamento de projetos e desligamento de milhares de funcionários. Analistas estimam que a empresa tenha destruído aproximadamente US$ 2 bilhões em valor relacionado às aquisições realizadas nos anos anteriores.
Além disso, outras gigantes da indústria também realizaram cortes significativos. A Electronic Arts, por exemplo, teria dispensado profissionais ligados ao desenvolvimento de Battlefield 6 mesmo após o jogo registrar números expressivos de vendas. Já a Epic Games eliminou mais de mil postos de trabalho após resultados abaixo das expectativas em Fortnite, apesar de o título continuar sendo uma das maiores fontes de receita da indústria.
Críticas ao investimento em inteligência artificial
Além das demissões, Gallacher também criticou o crescente investimento das empresas em inteligência artificial. Na visão do gerente, recursos que poderiam ser direcionados para equipes de desenvolvimento estão sendo utilizados em tecnologias que ameaçam substituir profissionais criativos.
“Onde está indo esse dinheiro? Um CEO desiludido falando em alcançar bilhões de jogadores enquanto despeja os salários recém-roubados de desenvolvedores talentosos na máquina de plágio [IA]. Essa é com certeza a linha do tempo mais sombria”, escreveu.
As declarações refletem uma discussão cada vez mais presente no setor de games. Enquanto empresas defendem o uso da inteligência artificial para acelerar processos e reduzir custos, muitos profissionais temem que a tecnologia seja utilizada como justificativa para novos cortes de pessoal.
Com milhares de empregos eliminados nos últimos anos e perspectivas ainda incertas para o mercado, a insatisfação entre desenvolvedores continua crescendo, tornando críticas como as de Dave Gallacher cada vez mais frequentes dentro da indústria dos videogames.

