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“Jogos de turno são coisa do passado?” Diretor de Clair Obscur: Expedition 33 rebate críticas e defende o gênero

Clair Obscur: Expedition 33

Antes de tudo, vale lembrar que os jogos de turno já foram declarados “mortos” inúmeras vezes ao longo das últimas décadas. Ainda assim, o gênero continua atraindo milhões de jogadores e dando origem a alguns dos RPGs mais aclamados do mercado. Para Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, essa discussão sequer faz sentido. Em uma declaração recente, o desenvolvedor deixou claro que nunca acreditou na ideia de que sistemas de combate por turnos seriam ultrapassados ou incompatíveis com os padrões modernos da indústria.

Segundo Broche, a crítica recorrente ao gênero sempre lhe pareceu equivocada. O diretor afirmou que não entende de onde surgiu a narrativa de que jogos de turno seriam “coisa do passado”, ressaltando que, para ele, trata-se apenas de uma mecânica de gameplay, assim como qualquer outra. Ele também destacou sua afinidade com experiências mais estratégicas, chegando a citar sua paixão por jogos de tabuleiro como exemplo de que o pensamento tático continua sendo extremamente divertido e relevante.

O prazer da estratégia e do planejamento

Para o criador de Clair Obscur: Expedition 33, o verdadeiro diferencial dos jogos de turno não está simplesmente em esperar a vez de agir durante uma batalha. O que torna esse estilo tão recompensador é todo o processo de preparação que acontece antes dos confrontos mais importantes.

Broche explicou que sente uma satisfação única quando passa horas montando uma equipe, ajustando habilidades, combinando equipamentos e desenvolvendo estratégias para enfrentar desafios específicos. Quando esse planejamento finalmente é colocado à prova e funciona exatamente como o esperado, a sensação de conquista se torna muito mais intensa.

Na visão do diretor, derrotar um chefe após dezenas de horas construindo uma estratégia eficiente gera uma recompensa intelectual que poucos gêneros conseguem reproduzir. É o sentimento de ver cada decisão tomada ao longo da jornada contribuindo para um resultado positivo, criando a impressão de que o sucesso foi conquistado por meio de raciocínio e planejamento cuidadoso.

Inteligência versus reflexos

Para reforçar seu ponto de vista, Broche comparou os jogos de turno com títulos focados em ação frenética. O desenvolvedor citou Devil May Cry como exemplo de uma experiência que recompensa principalmente reflexos rápidos, coordenação motora e precisão na execução de comandos.

Segundo ele, embora admire esse tipo de jogo, a sensação obtida é diferente. Em um título de ação, o jogador costuma sentir que venceu graças à sua habilidade manual. Já em um RPG por turnos, a vitória costuma transmitir a sensação de que a inteligência, a análise estratégica e a capacidade de antecipar situações foram os principais fatores para superar o desafio.

Essa diferença, na opinião do diretor, é justamente o que mantém o gênero vivo e relevante. Afinal, existem públicos distintos em busca de experiências diferentes, e nem todos procuram desafios baseados exclusivamente em velocidade de reação.

Clair Obscur reforça a força dos jogos de turno

As declarações de Guillaume Broche refletem um sentimento compartilhado por muitos fãs de RPGs estratégicos. A ideia de que combates por turnos seriam antiquados costuma ignorar a enorme profundidade tática oferecida por jogos modernos que continuam evoluindo a fórmula clássica.

Títulos recentes provaram que ainda existe um grande espaço para experiências focadas em planejamento, gerenciamento de recursos e tomada de decisões inteligentes. Nesse contexto, Clair Obscur: Expedition 33 surge como mais um exemplo de que o gênero está longe de desaparecer. Pelo contrário, seu sucesso demonstra que jogos de turno continuam capazes de conquistar novos jogadores e entregar experiências tão envolventes quanto qualquer grande produção baseada em ação em tempo real.

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