Mesmo antes de seu lançamento oficial, Marvel’s Wolverine já está no centro de uma das discussões mais inusitadas envolvendo um grande exclusivo da PlayStation em 2026. Um trecho do jogo em que Logan utiliza seus sentidos aguçados para seguir o cheiro deixado por Jean Grey começou a circular nas redes sociais e rapidamente viralizou. O efeito visual usado para representar o rastro acabou recebendo um apelido nada lisonjeiro da comunidade: “gás de peido”.
Apesar do tom bem-humorado das brincadeiras, a situação abriu espaço para um debate mais amplo sobre o design de jogos modernos e a quantidade de recursos utilizados para orientar os jogadores durante a exploração.
A discussão ganhou força após a publicação da análise do YouTuber Skill Up. Em uma das sequências mostradas, Wolverine atravessa uma região coberta de neve enquanto diversos elementos apontam simultaneamente para o caminho correto. Além do rastro olfativo deixado por Jean Grey, o jogador conta com marcadores de objetivo, objetos destacados visualmente no cenário, elementos ambientais que direcionam a exploração e até pistas que conduzem a colecionáveis.
Segundo o criador de conteúdo, a combinação de tantas camadas de orientação transmite a sensação de que o jogo evita que o jogador descubra sozinho para onde deve seguir, reduzindo a necessidade de observação e exploração natural dos ambientes.
Linearidade também entrou na discussão
A crítica ao sistema de orientação acabou se conectando a outro tema recorrente entre as análises de Marvel’s Wolverine: sua estrutura mais linear.
Embora o novo projeto da Insomniac Games aposte em sequências cinematográficas, narrativa intensa e combates extremamente violentos, parte da imprensa especializada apontou que a campanha segue um caminho bastante direcionado. O The Guardian, por exemplo, criticou os ambientes mais restritos e considerou o combate repetitivo em determinados momentos.
Por outro lado, nem todos enxergaram essa característica de forma negativa. O The Verge destacou justamente a decisão da Insomniac de abandonar a fórmula de mundo aberto utilizada na série Marvel’s Spider-Man, classificando a experiência mais linear como um retorno bem-vindo aos tradicionais jogos de ação focados em narrativa.
É possível desativar essas assistências?
Com o debate ganhando força, muitos jogadores passaram a questionar se os recursos de orientação exibidos nos vídeos poderiam ser desligados.
A resposta é parcialmente positiva. Marvel’s Wolverine oferece diversas opções de acessibilidade e personalização da interface. Entre elas está o recurso Navigation Assist, que cria uma trilha para indicar a direção do objetivo principal ou dos inimigos mais próximos. A própria Insomniac Games confirma que essa função pode ser ativada ou desativada livremente pelo usuário.
Diversos elementos do HUD também podem ser ajustados, o que levou parte da comunidade a argumentar que os vídeos compartilhados mostravam uma experiência excessivamente guiada apenas porque várias assistências estavam habilitadas simultaneamente.
No entanto, o famoso “gás de peido” parece funcionar de maneira diferente.
O jornalista Gene Park, do The Washington Post, afirmou que o rastro continuava visível mesmo após desativar as assistências de navegação e os marcadores de missão. Relato semelhante foi compartilhado por Kenneth Shepard, da Kotaku.
A explicação mais provável é que o efeito não seja tratado como uma ferramenta opcional de acessibilidade, mas sim como uma representação visual dos sentidos sobre-humanos de Wolverine. Em materiais promocionais divulgados antes do lançamento, a própria PlayStation já havia mostrado Logan utilizando seu olfato para rastrear personagens, localizar itens colecionáveis e encontrar pontos de interesse espalhados pelo cenário.
Na prática, isso significa que desligar os sistemas tradicionais de orientação não necessariamente remove todos os elementos visuais utilizados pelo jogo para conduzir a exploração.
O retorno da polêmica da “tinta amarela”
Para muitos jogadores, toda essa discussão lembra diretamente a antiga controvérsia da chamada “tinta amarela” nos videogames.
Nos últimos anos, tornou-se comum que desenvolvedores utilizassem objetos, paredes, escadas ou plataformas pintadas com cores chamativas para indicar caminhos escaláveis e rotas principais. Embora o recurso facilite a navegação, críticos argumentam que ele reduz a imersão e elimina parte da satisfação de descobrir soluções observando o ambiente.
Em Marvel’s Wolverine, o debate segue a mesma linha. A questão não é necessariamente a existência de opções de assistência, mas sim a percepção de que várias camadas de orientação podem estar funcionando ao mesmo tempo, tornando a progressão excessivamente guiada.
A polêmica ganhou ainda mais repercussão porque chegou justamente no momento em que as primeiras avaliações do jogo começaram a ser publicadas. Com uma média de 77 pontos no Metacritic, baseada em mais de uma centena de análises, o título apresentou uma recepção dividida entre veículos que concederam notas máximas e outros que ficaram na faixa dos 5/10 e 6/10.
Mesmo assim, diversos aspectos receberam elogios consistentes da crítica, incluindo a história, a violência dos combates, as atuações do elenco e a forma como a Insomniac retratou Wolverine.
Por enquanto, porém, uma das discussões mais comentadas sobre o aguardado exclusivo da PlayStation não envolve seu combate brutal nem sua narrativa, mas sim um simples rastro de cheiro deixado por Jean Grey que a internet decidiu transformar em meme.
Marvel’s Wolverine será lançado em 15 de setembro de 2026 exclusivamente para PlayStation 5. O título contará com melhorias específicas para o PS5 Pro, enquanto a edição padrão já está disponível em pré-venda na PlayStation Store brasileira por R$ 399,90.

