Super Mario 64 no PS2 vira realidade com mod impressionante
Um modder conseguiu realizar algo que parecia simplesmente impossível: fazer Super Mario 64 rodar no PlayStation 2, com modo cooperativo local e, além disso, suporte a multiplayer online com cross-play entre PS2 e Nintendo 64. O projeto foi criado pelo YouTuber Carl Does Tech Things e, desde já, chamou atenção por representar uma das façanhas técnicas mais curiosas e criativas já vistas na comunidade de modding.
Além de surpreender pelo resultado final, o mod não se limita a “apenas rodar” o clássico. Pelo contrário, ele transforma o jogo em uma experiência cooperativa completa, permitindo que dois jogadores compartilhem a mesma aventura, mesmo usando consoles completamente diferentes e, acima de tudo, de fabricantes rivais.
Port para PS2 foi só o começo
Embora pareça o maior desafio, portar Super Mario 64 para o PlayStation 2 não exigiu um esforço tão absurdo quanto muitos imaginariam. Isso aconteceu porque o código original do jogo foi decompilado com sucesso anos atrás, o que, consequentemente, abriu portas para ports, modificações e reconstruções do game em diversas plataformas.
No entanto, mesmo com o port funcionando, o verdadeiro objetivo de Carl era outro. Em vez de parar no básico, ele decidiu criar uma estrutura multiplayer online e, mais importante ainda, permitir que o PS2 se conectasse diretamente com um Nintendo 64 em uma partida cooperativa.
Ou seja, não bastava rodar o jogo: era necessário fazer os consoles “conversarem” entre si.
Como o PS2 conseguiu se conectar à internet
Para tornar o multiplayer possível no PlayStation 2, Carl utilizou um dispositivo Pico 2, baseado em Raspberry Pi, conectado ao console via USB. A partir disso, ele conseguiu implementar um sistema de rede capaz de enviar e receber informações do jogo em tempo real.
Entretanto, a parte mais interessante vem logo depois. Em vez de depender apenas do hardware principal do PS2, Carl aproveitou uma característica pouco comentada: o console possui internamente todo o hardware de um PlayStation 1, já que foi projetado com retrocompatibilidade.
Assim, Carl utilizou o processador do PS1 dentro do PS2 para lidar com instruções de rede, funcionando, portanto, como uma espécie de “ponte” entre o jogo e o adaptador conectado. Com isso, o console conseguiu executar tarefas de comunicação de forma mais eficiente, mesmo sendo uma arquitetura bem antiga.
O lado do Nintendo 64 também exigiu criatividade
Enquanto o PS2 precisava de uma solução externa via USB, o Nintendo 64, por sua vez, também demandou uma abordagem engenhosa. Para isso, Carl utilizou um cartucho personalizado, desenvolvido por ele anteriormente, com outro Pico embutido.
Dessa forma, o N64 passou a ter um método próprio de comunicação, capaz de transmitir dados como posição, movimentos e ações do segundo Mario para a outra versão do jogo. Como resultado, ambos os consoles conseguem manter o modo cooperativo funcionando de forma sincronizada.
Além disso, a modificação também permite que cada versão do jogo receba atualizações constantes do outro console, o que, consequentemente, torna a experiência mais estável e convincente.
Obstáculos técnicos e o problema da taxa de quadros
Mesmo com a comunicação estabelecida, o desenvolvimento ainda apresentou vários desafios. Um dos mais complicados, por exemplo, envolveu a diferença na taxa de quadros entre o Nintendo 64 e o PlayStation 2.
No início, isso causava problemas claros de sincronização. Assim, animações ficavam fora de tempo, movimentos se tornavam inconsistentes e, em alguns momentos, surgiam atrasos visíveis entre os dois consoles. Ainda assim, após uma sequência de ajustes, testes e correções, Carl conseguiu equilibrar o funcionamento das duas versões.
No fim das contas, o resultado surpreendeu até mesmo o próprio criador.
“Funciona muito melhor do que eu pensava que iria funcionar”, comentou o modder em seu vídeo. Além disso, ele detalha cada etapa do processo e explica como solucionou os principais obstáculos, o que torna o projeto ainda mais impressionante.
Um exemplo do poder da comunidade de modding
No geral, esse projeto representa um dos melhores exemplos do que a comunidade de modding consegue atingir quando combina criatividade, engenharia e persistência. Afinal, ele não apenas coloca um jogo da Nintendo rodando em um console da Sony, como também cria uma experiência cooperativa online entre plataformas que, originalmente, eram concorrentes diretas.
Com isso, Super Mario 64 deixa de ser apenas um clássico single-player e se transforma em uma experiência moderna. Consequentemente, o projeto prova que, mesmo décadas depois, o jogo ainda consegue surpreender — principalmente quando cai nas mãos certas.