Revelação do uso de IA em Arc Raiders provoca reação imediata
Arc Raiders, o conhecido jogo de tiro cooperativo da Embark Studios, entrou no centro de uma controvérsia significativa após a confirmação de que o estúdio utilizou vozes geradas por inteligência artificial. Desde então, a decisão passou a ser amplamente debatida, sobretudo porque, atualmente, a indústria de games vive um momento de forte crescimento financeiro. Além disso, o tema surge em um contexto no qual a substituição de profissionais criativos por tecnologia levanta questionamentos cada vez mais frequentes.
Diante disso, a discussão rapidamente ganhou visibilidade quando um ator de destaque resolveu se posicionar publicamente sobre o assunto.
Neil Newbon se posiciona contra o uso de vozes artificiais
Quando questionado, Neil Newbon, ator conhecido mundialmente por interpretar Astarion em Baldur’s Gate 3, não apenas comentou o caso, como também apresentou uma crítica contundente ao uso de IA para dublagem em jogos. Segundo ele, embora alguns estúdios aleguem economia, esse argumento não se sustenta quando analisado de forma mais ampla.
De acordo com Newbon, o custo para gravar falas com atores profissionais representa uma parcela mínima do orçamento total de um jogo moderno. Portanto, na visão do ator, recorrer à IA nesse aspecto não se justifica financeiramente.
“A quantia de dinheiro que custa fazer essas falas de voz, em comparação com o restante do desenvolvimento do jogo, é irrisória”, afirmou. Assim, para ele, o uso de inteligência artificial acaba funcionando como um meio direto de retirar oportunidades de trabalho.
Consequências para atores e profissionais da área
Além disso, Newbon destacou um ponto frequentemente ignorado no debate: a realidade financeira da maioria dos atores de voz. Segundo ele, diferentemente do que muitos imaginam, poucos profissionais vivem com conforto. Pelo contrário, a maioria passa anos lidando com instabilidade e insegurança.
“A maioria dos atores, notoriamente, não é rica. A maioria de nós passa a vida inteira lutando”, explicou. Dessa forma, na avaliação do ator, optar por IA em vez de pessoas reais contribui diretamente para a precarização do trabalho artístico, especialmente em um setor que já enfrenta desafios constantes.
Sucesso comercial deveria levar à regravação das vozes
Ainda assim, Newbon reconheceu que alguns estúdios recorrem à IA por limitações de orçamento durante o desenvolvimento inicial. No entanto, ele argumenta que essa justificativa perde força quando o jogo se torna um sucesso comercial. Nesse caso, segundo ele, o estúdio deveria rever suas escolhas.
“Se você ganhou uma fortuna com um lançamento que usa IA generativa para vozes, talvez valha a pena voltar àqueles atores, colocá-los no estúdio e regravar esse material”, afirmou. Em seguida, reforçou sua crítica de forma direta: “Agora vocês têm o dinheiro, distribuam essa riqueza”.
Qualidade das vozes geradas por IA também é alvo de críticas
Por fim, além das questões éticas e profissionais, Newbon também criticou duramente a qualidade das vozes artificiais. Embora alguns defendam que a IA melhora a imersão por ser mais reativa, o ator discorda totalmente dessa visão. Para ele, o resultado final soa artificial e prejudica a experiência.
“Para mim, tira totalmente da experiência, porque eu só ouço algo que não soa como um ser humano”, afirmou. Segundo Newbon, independentemente dos avanços tecnológicos, a IA generativa ainda falha em reproduzir nuances humanas de forma convincente, o que reforça sua oposição ao uso dessa tecnologia em dublagens de jogos.