Ícone do site Guia do ED

Nintendo registra alta de 150% no lucro após receber US$ 300 milhões em reembolsos de tarifas, mas donos do Switch 2 ficam sem compensação

Nintendo

A Nintendo divulgou seus resultados financeiros mais recentes e revelou números que chamaram atenção do mercado. Embora a empresa tenha registrado uma queda de 9,5% nas vendas líquidas em comparação com o mesmo período do ano anterior, o lucro operacional disparou 150,5%, alcançando 142,5 bilhões de ienes.

O principal motivo para essa diferença está em um reembolso de aproximadamente US$ 300 milhões relacionado a tarifas alfandegárias cobradas pelos Estados Unidos. O valor, que havia sido contabilizado anteriormente como custo de produção, retornou aos cofres da companhia após uma disputa judicial e contribuiu diretamente para o aumento expressivo do lucro.

Apesar do impacto positivo nos resultados, a Nintendo confirmou que esse dinheiro não será devolvido aos consumidores que compraram o Switch 2 ou seus acessórios durante o período de tarifas elevadas. Na prática, os jogadores que pagaram preços maiores pelos produtos não terão qualquer tipo de compensação financeira.

Segundo o relatório financeiro divulgado pela empresa, o lucro ordinário cresceu 115,1%, chegando a 206,1 bilhões de ienes. Já o lucro atribuído aos acionistas aumentou 53,5%, alcançando 147,4 bilhões de ienes. A margem bruta também apresentou melhora, subindo para 54,3%, impulsionada principalmente pelo desempenho das vendas digitais e pelo impacto positivo dos reembolsos tarifários.

Reembolso de tarifas aumenta lucro da Nintendo

O caso começou em março, quando a Nintendo entrou com uma ação contra o governo dos Estados Unidos questionando a legalidade das tarifas aplicadas sob a política conhecida como IEEPA. A empresa buscava recuperar os valores pagos anteriormente, incluindo juros, e conseguiu obter um retorno de aproximadamente US$ 300 milhões.

Com a decisão favorável, o montante passou a aparecer nos resultados financeiros como uma redução nos custos de vendas, fortalecendo significativamente os números do trimestre.

No documento apresentado aos investidores, a Nintendo destacou que as tarifas “foram primariamente absorvidas pela empresa em vez de repassadas aos consumidores por meio dos preços dos produtos”. A declaração, porém, gerou questionamentos devido a uma ação coletiva movida por consumidores americanos.

O processo alegava que compradores poderiam ter sido prejudicados pelos aumentos de preços aplicados em produtos como acessórios do Switch 2, além de reajustes realizados em itens relacionados ao Switch original. A acusação afirmava que a companhia poderia ter recuperado os custos das tarifas dos consumidores e, posteriormente, recebido o reembolso do governo.

Nintendo tenta encerrar processo movido por consumidores

Em resposta à ação coletiva, a Nintendo solicitou o arquivamento do processo. A empresa argumentou que os consumidores receberam exatamente aquilo que compraram pelo preço anunciado e afirmou que aqueles que não concordassem com os valores poderiam simplesmente optar por não adquirir os produtos ou procurar alternativas concorrentes.

A Nintendo também contestou a ideia de que os aumentos de preços foram causados apenas pelas tarifas. Segundo a companhia, outros fatores influenciaram os reajustes, incluindo o aumento nos custos de memória, transporte internacional e mão de obra.

Dessa forma, a empresa mantém a posição de que absorveu os custos tarifários internamente e que os consumidores não pagaram diretamente por esses valores.

No entanto, o resultado prático permanece o mesmo: os jogadores que compraram o Switch 2 e seus acessórios durante o período de preços elevados não receberão nenhuma parcela dos US$ 300 milhões recuperados pela Nintendo. O valor ajudou a impulsionar os lucros da companhia, mas não retornará para o bolso dos consumidores.

Sair da versão mobile