A Nvidia pode estar preparando seu próximo grande salto em gráficos para jogos
Durante a GTC, realizada em San Jose, a Nvidia apresentou o DLSS 5, sua mais recente evolução em tecnologia de renderização baseada em inteligência artificial. Dessa forma, a empresa demonstra que pretende transformar drasticamente o realismo da iluminação nos games. Além disso, a demonstração técnica indicou que o DLSS 5 não apenas melhora o desempenho, mas também eleva significativamente a fidelidade visual.
Iluminação com IA em vez de novo hardware
Diferentemente das versões anteriores do DLSS, que se concentravam principalmente em upscaling e geração de quadros, o DLSS 5 introduz um sistema experimental baseado em aprendizado de máquina. Assim, ele consegue reinterpretar a iluminação em tempo real. Com isso, o objetivo é ambicioso: oferecer iluminação próxima do fotorrealismo sem exigir pipelines de renderização completamente novos ou hardware mais poderoso.
Tradicionalmente, grandes saltos visuais em jogos dependiam de avanços de hardware capazes de executar técnicas pesadas, como ray tracing ou path tracing. No entanto, o DLSS 5 segue uma abordagem diferente. Em vez de depender exclusivamente do poder da GPU, ele utiliza um modelo de IA treinado para compreender o comportamento da luz no mundo real. Dessa maneira, o sistema analisa o render base do jogo, incluindo dados de cor e vetores de movimento, e reconstrói um resultado de iluminação mais preciso.
É importante destacar que o sistema não altera assets como geometria ou texturas; portanto, os mesmos modelos e materiais permanecem. Entretanto, os cálculos de iluminação tornam-se significativamente mais avançados. Como resultado, as primeiras demonstrações mostraram cenas muito mais realistas, mesmo mantendo os assets originais intactos.
Melhorias visuais expressivas em jogos existentes
Durante a apresentação, diversos jogos demonstraram o potencial do DLSS 5. Por exemplo, em Resident Evil, a tecnologia aprimorou a renderização facial, os reflexos e a iluminação de materiais. Consequentemente, a pele dos personagens ganhou reflexos mais naturais, o cabelo reagiu melhor à luz e superfícies refletivas pareceram mais realistas em ambientes molhados.
Além disso, até títulos mais antigos se beneficiaram. Em Starfield, que não utiliza ray tracing, a profundidade visual aumentou, sombras ficaram mais definidas e reflexos nos personagens, como subsurface scattering nos olhos, tornaram-se mais convincentes. Outros exemplos incluíram Oblivion Remastered e Assassin’s Creed Shadows, ambos exibindo iluminação ambiental, sombras e efeitos atmosféricos muito mais detalhados. Em algumas cenas, o resultado aproximou-se de visuais gerados por path tracing, mesmo sem que o jogo utilizasse essa técnica.
Tecnologia ainda em desenvolvimento
Apesar dos resultados impressionantes, o DLSS 5 ainda está em fase de desenvolvimento. Inicialmente, a demonstração foi realizada com duas GPUs RTX 5090 — uma para renderizar o jogo e outra para processar a iluminação via IA.
No entanto, segundo a Nvidia, a tecnologia já funciona em uma única GPU e deve chegar ao público no final de 2026. Ainda existem dúvidas sobre o desempenho em diferentes categorias de GPU. Enquanto placas de alto desempenho provavelmente rodarão o recurso em 4K, GPUs mais modestas podem precisar de resoluções menores ou versões simplificadas do modelo de IA.
Um caminho potencialmente controverso
A possibilidade de a IA reinterpretar a iluminação levanta debates sobre controle artístico. Embora os estúdios possam ajustar o sistema, mods da comunidade poderiam ativar o recurso de forma independente, o que tornaria o controle da estética final mais complexo. No entanto, alguns desenvolvedores demonstraram entusiasmo, acreditando que o DLSS 5 pode permitir que jogos alcancem o nível de fidelidade visual imaginado originalmente, mas limitado pelo hardware.
A ascensão do neural rendering
Se cumprir suas promessas, o DLSS 5 pode marcar uma mudança significativa na indústria de gráficos para jogos. Em vez de depender exclusivamente de técnicas tradicionais, o futuro pode se inclinar para o neural rendering, no qual modelos de IA aprimoram ou recriam informações visuais com base em comportamentos físicos aprendidos. Dessa forma, engines mais antigas e títulos existentes poderiam alcançar visuais antes considerados impossíveis, mesmo sem grandes reformulações gráficas.

