Versão quase final de Resident Evil cancelado para Game Boy Color reaparece na internet
Uma versão praticamente final do Resident Evil cancelado para Game Boy Color acaba de surgir na internet e, assim, reacende o interesse por um dos projetos mais curiosos da história dos videogames. De acordo com as informações disponíveis, o material foi preservado exatamente no momento em que o desenvolvimento foi interrompido, ainda no ano 2000. Desde então, fãs e pesquisadores acompanham atentamente qualquer novidade relacionada a esse ambicioso port.
Um desafio técnico considerado impossível
Na época, primeiramente, a britânica HotGen recebeu uma missão extremamente ousada: adaptar o survival horror lançado originalmente para PlayStation e Sega Saturn, distribuído em dois CDs, para um cartucho de apenas 2 MB em um portátil 8-bit. Ainda assim, contra todas as expectativas, a equipe conseguiu reduzir drasticamente o escopo técnico do jogo. Ao mesmo tempo, manteve elementos centrais da experiência original, como exploração, atmosfera tensa e confrontos com zumbis.
Além disso, os desenvolvedores redesenharam cenários, simplificaram animações e ajustaram sistemas de jogo para caber nas severas limitações do hardware. Dessa forma, o projeto passou a ser conhecido entre os fãs como o famoso “port impossível”, justamente por desafiar o que se acreditava possível no Game Boy Color.
Cancelamento próximo da conclusão
Apesar disso, mesmo com o avanço evidente, o projeto acabou cancelado quando já estava muito próximo da conclusão. Desde 2011, versões preliminares do jogo passaram a circular online. Entretanto, nenhuma delas permitia chegar ao final da campanha. Agora, esse cenário muda de maneira significativa.
Nesse contexto, o site Games That Weren’t, especializado na preservação de jogos cancelados, compartilhou o que descreve como a build mais completa já encontrada. Segundo Pete Frith, programador assistente que forneceu o material, o jogo estaria cerca de 98% finalizado. Além disso, ele revelou que havia intenso contato entre desenvolvedores e a equipe de QA pouco antes do cancelamento definitivo.
Conteúdos inéditos e possíveis limitações
Com isso, essa versão inclui conteúdos ausentes em builds anteriores, como o Tyrant e o final do jogo. Por essa razão, surge a possibilidade real de concluir a aventura do início ao fim. Ainda assim, o site não confirmou oficialmente se a campanha está totalmente jogável. Por precaução, foram disponibilizadas alternativas, como hacks que permitem acessar diretamente a batalha final ou o encerramento.
Por outro lado, mesmo tão avançada, a build ainda apresenta problemas típicos de um jogo inacabado. Entre eles, estão cenas de história incompletas, erros de cores em sprites, personagens reutilizando modelos e animações estranhas. Como exemplo, alguns zumbis se ajoelham ao serem derrotados, possivelmente como uma forma de reduzir o nível de violência.
Motivos do cancelamento e legado
Segundo relatos da época, o cancelamento teria ocorrido porque um dos criadores originais da franquia considerou que o Game Boy Color não era uma plataforma adequada para Resident Evil. No entanto, não está claro se a decisão partiu de Shinji Mikami ou do produtor Tokuro Fujiwara.
Por fim, o artista Simon Butler, que trabalhou no projeto, comentou a redescoberta com nostalgia. De acordo com ele, foi interessante rever seu trabalho depois de tantos anos, apesar de o desenvolvimento ter sido extremamente desafiador. Vale lembrar, ainda, que o Game Boy Color recebeu um título oficial da franquia, Resident Evil Gaiden, um spin-off desenvolvido especificamente para o portátil, com câmera superior e segmentos de tiro em primeira pessoa ambientados em um navio de cruzeiro.