A disputa envolvendo as tarifas de importação nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo. Depois da Nintendo, agora Sony e Microsoft também afirmam que consumidores que compraram PS5 e Xbox Series X por preços mais altos devido às tarifas americanas não têm direito a qualquer reembolso, mesmo que as empresas recuperem posteriormente esses valores junto ao governo federal dos EUA.
O debate surgiu a partir de uma série de ações coletivas movidas por consumidores americanos. Os processos alegam que as fabricantes teriam repassado o custo das tarifas alfandegárias aos clientes por meio de aumentos nos preços dos consoles e, ao mesmo tempo, poderiam receber de volta parte desses valores através de programas de restituição governamental. Segundo os autores das ações, isso configuraria uma espécie de cobrança em duplicidade, motivo pelo qual pedem compensações financeiras e outras medidas judiciais.
No pedido de arquivamento apresentado recentemente, a Sony argumenta que pagar o valor de mercado por um produto adquirido de forma voluntária não representa um dano legalmente reconhecível. Além disso, a empresa afirma que não existe comprovação de que as tarifas americanas tenham sido a causa direta do aumento de preço do PS5 registrado em agosto do ano passado, classificando essa interpretação como especulativa e sem fundamento lógico.
Para fortalecer sua defesa, a fabricante destaca que promoveu novos reajustes de preço em 2026, incluindo aumentos que aproximaram o PS5 Pro da faixa dos US$ 900, mesmo após o encerramento das tarifas relacionadas ao IEEPA. Na visão da companhia, se as tarifas fossem realmente o principal fator por trás dos aumentos, seria esperado que os preços caíssem após sua remoção, e não que subissem novamente.
A Microsoft adotou uma linha de defesa semelhante. Em um processo paralelo, a empresa afirmou que não existe qualquer irregularidade no fato de um consumidor comprar um Xbox pelo preço anunciado e receber exatamente o produto oferecido. A companhia sustenta que teorias posteriores sobre sua estrutura de custos não alteram os termos da transação realizada no momento da compra.
Essa argumentação segue de perto a posição apresentada pela Nintendo em julho. Na ocasião, a empresa japonesa declarou que os consumidores receberam exatamente aquilo pelo que pagaram e que ninguém foi obrigado a adquirir os produtos pelos valores reajustados. Segundo a defesa da companhia, os clientes sempre tiveram a opção de adiar a compra ou buscar alternativas no mercado.
Enquanto os tribunais analisam os casos, o cenário para os consumidores permanece incerto. Especialistas apontam que a disputa pode se estender por anos, especialmente diante do aumento contínuo dos custos de produção de hardware. Apenas em 2026, analistas estimam que os custos do setor de games cresceram cerca de 16%, impulsionados principalmente pelo encarecimento de componentes como memórias e semicondutores.
As perspectivas para os próximos anos também não são animadoras. A Samsung já alertou que a forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial pode pressionar ainda mais a cadeia global de suprimentos em 2027, elevando custos de fabricação e potencialmente impactando os preços de consoles, placas de vídeo e outros dispositivos eletrônicos. Nesse contexto, a batalha judicial entre consumidores e fabricantes pode se tornar apenas um dos muitos desafios que a indústria enfrentará nos próximos anos.

