Starfield não decepcionou totalmente, mas ficou abaixo do padrão da Bethesda, admite executivo
Bastidores de Starfield: desafios e revelações
O ex-chefe da Bethesda, Kurt Kuhlmann, recentemente compartilhou detalhes inéditos sobre os bastidores do desenvolvimento de Starfield, destacando, assim, os desafios enfrentados pela equipe durante a criação do ambicioso RPG espacial. Além disso, em uma análise bastante franca, Kuhlmann comparou o processo de produção do título com jogos anteriores da desenvolvedora e explicou, por consequência, por que Starfield encontrou dificuldades específicas que impactaram seu resultado final.
Diferenças em relação a títulos anteriores
De acordo com Kuhlmann, durante o desenvolvimento de Skyrim, a organização do trabalho era, portanto, relativamente mais simples, visto que todos os membros da equipe mantinham contato direto com o projeto. Entretanto, com Starfield, a situação mudou drasticamente. Embora Todd Howard continuasse como diretor criativo, sua disponibilidade estava limitada devido às crescentes responsabilidades administrativas dentro da Bethesda. Por isso, surgiram lacunas na comunicação e na supervisão de decisões cruciais, o que, consequentemente, afetou o andamento do desenvolvimento.
Problemas de hierarquia e comunicação
Um dos principais pontos críticos mencionados por Kuhlmann foi a estrutura hierárquica do projeto. Pois, de fato, muitos líderes de equipe não estavam diretamente envolvidos na criação de conteúdo, o que dificultava a tomada de decisões rápidas e coerentes. Além disso, à medida que a Bethesda crescia, mais pessoas eram necessárias nos projetos, aumentando os problemas de comunicação. “Em alguns casos, o ‘problema’ era Howard”, explicou Kuhlmann, destacando que muitas decisões dependiam do diretor; entretanto, sua disponibilidade limitada impactava diretamente o desenvolvimento. Apesar disso, ele reconheceu que Howard é, sem dúvida, um “ótimo gerente de projetos”.
Ambições elevadas e suas consequências
Kuhlmann também revelou que Starfield sofreu, de certa forma, por causa das próprias ambições da Bethesda. A empresa queria, de fato, evitar os problemas enfrentados com Fallout 76 e, portanto, optou por implementar inúmeras mecânicas novas, em vez de se basear em elementos já consolidados de jogos anteriores, como The Elder Scrolls. Consequentemente, durante longos períodos, os designers não tinham clareza sobre como funcionariam aspectos cruciais, como planetas e viagens espaciais. Dessa forma, a equipe foi obrigada a criar missões baseadas em hipóteses, resultando em um jogo que, segundo Kuhlmann, parece menos coeso do que outras obras da Bethesda, embora ainda fosse funcional.
Um jogo bom, mas abaixo do padrão
Apesar das críticas, Kuhlmann acredita que Starfield é um bom jogo; ou seja, “certamente nada de que se envergonhar e absolutamente publicável, mas não excepcional” quando comparado a outros títulos do estúdio. Portanto, embora o jogo consiga entreter os fãs, ele não alcança o mesmo nível de coesão e excelência de produções anteriores.










