A Ubisoft deu novos sinais de que pode passar por mudanças ainda mais profundas nos próximos meses. Dessa vez, durante uma reunião interna, a empresa francesa indicou que pode vender algumas de suas novas divisões criativas caso elas não consigam atingir os resultados esperados. A informação veio à tona após o portal Insider Gaming obter a gravação do encontro e, em seguida, conversar com diversos funcionários sob anonimato.
Além disso, os relatos apontam que o clima dentro da companhia segue extremamente tenso, com o moral das equipes em forte queda. Segundo os colaboradores, a direção evitou responder diretamente às perguntas mais delicadas e, em vez disso, preferiu repetir discursos já divulgados oficialmente sobre três temas que vêm gerando desconforto: o retorno obrigatório aos escritórios, a continuidade dos cortes de pessoal e a criação das cinco novas subdivisões internas.
Reunião interna expõe clima negativo entre funcionários
De acordo com as fontes, muitos funcionários esperavam respostas claras e transparência sobre o futuro da empresa. No entanto, o que se viu foi uma postura considerada “evasiva”, especialmente diante das preocupações sobre reestruturações e estabilidade dos empregos.
Ao mesmo tempo, a sensação predominante dentro dos estúdios seria de insegurança. Afinal, além de novas demissões, agora surge também a possibilidade de venda de unidades recém-criadas. Com isso, a incerteza aumenta ainda mais.
Ubisoft reforça retorno obrigatório aos escritórios
Um dos pontos mais criticados internamente continua sendo a política de retorno presencial. Ainda assim, durante a reunião, o CEO Yves Guillemot reforçou que a decisão foi tomada com o objetivo de aumentar a colaboração entre as equipes e, consequentemente, melhorar a eficiência.
“É uma decisão que não tomamos levianamente, mas acreditamos firmemente que trará maior eficiência, inovação e rapidez”, declarou o executivo.
Logo depois, Marie-Sophie de Waubert, diretora de estúdios e portfólio, reforçou o posicionamento da empresa e afirmou que a presença física é essencial para manter o nível criativo.
Segundo ela, tanto a percepção interna quanto externa indica que “quanto mais pessoas presentes juntas, melhores os resultados coletivos”. Além disso, a executiva descartou completamente a adoção de uma semana de quatro dias no escritório, ideia defendida por parte dos colaboradores.
CFO confirma mais demissões, mas evita números
Outro tema sensível foi a confirmação de novas demissões. Dessa forma, o CFO Frederik Duguet admitiu que a Ubisoft seguirá com cortes. Porém, ao mesmo tempo, evitou revelar qualquer número específico.
“Precisamos afirmar claramente que nunca compartilhamos tais números externamente. No entanto, é verdade que prosseguiremos com reestruturações pontuais, pois precisamos redimensionar a organização e reduzir nossos custos”, explicou.
Mesmo assim, estimativas citadas por fontes internas sugerem que ao menos 200 funcionários na França podem ser afetados pelas próximas rodadas de demissões. Ou seja, a reestruturação tende a continuar em ritmo acelerado.
Ubisoft pode vender novas casas criativas se desempenho não melhorar
Entretanto, o ponto mais preocupante do encontro foi a declaração de que a Ubisoft pode vender uma de suas cinco novas casas criativas recém-estabelecidas. De acordo com Duguet, a empresa deseja que essas unidades prosperem e, por isso, entende que elas “podem não ser lucrativas desde o primeiro dia”.
Por outro lado, se os resultados continuarem abaixo do esperado, a venda passa a ser considerada uma alternativa real. Nesse cenário, o CFO afirmou que isso só aconteceria caso fosse algo “positivo para a divisão ou para a Ubisoft”, dentro de uma visão de longo prazo.
Assim, a fala reforça que o desempenho dessas casas criativas será decisivo para o futuro do novo modelo interno.
Pressão aumenta e sindicato pede renúncia do CEO
Enquanto a empresa tenta justificar suas decisões estratégicas, a crise interna segue crescendo. Como resultado, em meio ao desgaste, representantes sindicais da Ubisoft já teriam solicitado formalmente a renúncia de Yves Guillemot do cargo de CEO.
Com isso, a situação reforça que a Ubisoft vive um dos períodos mais delicados de sua história recente. Portanto, caso os resultados não melhorem rapidamente, novas mudanças estruturais podem estar a caminho.