A Valve não tem qualquer intenção de subsidiar o preço da Steam Machine para competir diretamente com os consoles tradicionais da sala de estar, e a empresa deixou claro o motivo dessa decisão. Com o anúncio oficial dos preços do dispositivo — que ultrapassam a marca de US$ 1.000 — ficou evidente que a filosofia da companhia liderada por Gabe Newell segue um caminho oposto ao adotado historicamente por fabricantes como Sony, Microsoft e Nintendo, que frequentemente vendem hardware com margens reduzidas ou até mesmo abaixo do custo para ampliar rapidamente sua base de usuários.
“Sistemas abertos são melhores no longo prazo”
Em um comunicado oficial, a Valve afirmou que subsidiar hardware vai contra sua visão de mercado e sua crença em ecossistemas abertos. Segundo a empresa, embora a estratégia possa parecer atraente à primeira vista, ela não contribui para a construção de uma plataforma saudável e sustentável.
“Embora o subsídio possa parecer uma solução fácil, ele não se alinha com nossas crenças sobre como ecossistemas saudáveis são construídos. Se há algo em que somos religiosos aqui na Valve, é nossa crença de que sistemas abertos são melhores no longo prazo, para nós e para os consumidores”, afirmou a companhia.
Além disso, a Valve criticou indiretamente práticas comuns da indústria, como a venda de hardware abaixo do custo e a busca por exclusividades. Sem mencionar concorrentes diretamente, a empresa argumentou que essas estratégias geralmente têm como objetivo criar ambientes mais fechados, limitando a liberdade dos consumidores.
“Quando empresas vendem seu hardware abaixo do custo por vantagem competitiva, ou compram conteúdo exclusivo para ele, estão fazendo isso para construir um sistema mais fechado, onde você não escolhe qual software quer usar. Não queremos isso para o hardware de PC, e não achamos que você deveria querer isso também”, declarou.
Steam Machine e Steam Deck seguem a mesma filosofia
Durante uma entrevista, surgiu uma questão inevitável: se os jogos comprados na Steam estão vinculados à própria plataforma, isso não criaria uma situação semelhante à dos ecossistemas fechados criticados pela Valve?
O designer de interface Lawrence Yang reconheceu que o argumento faz sentido, mas destacou uma diferença importante. De acordo com ele, a empresa não restringe seus dispositivos a uma única plataforma ou loja digital.
“Acho que você poderia fazer esse argumento”, respondeu Yang. “Mas, ao mesmo tempo, não travamos nosso hardware. Você pode instalar o Windows, pode instalar outras lojas de jogos no Steam Deck ou na Steam Machine, e isso é algo que trabalhamos ativamente para tornar possível. Não achamos que as pessoas deveriam ser presas a uma loja de jogos.”
Dessa forma, a Valve reforça que sua estratégia para a Steam Machine não passa por reduzir artificialmente o preço do hardware para atrair consumidores. Em vez disso, a companhia aposta na flexibilidade do PC, na liberdade de escolha e em um ecossistema aberto como diferenciais para conquistar o público a longo prazo.

