A Microsoft revelou novos detalhes sobre uma ampla reestruturação na divisão Xbox, que envolve mudanças profundas em sua estratégia, no portfólio de estúdios e no modelo de negócios. Além disso, a empresa confirmou que estúdios como a Double Fine e a Compulsion Games passam a operar com maior independência, enquanto a Ninja Theory e a Undead Labs estariam sendo transferidas para novos proprietários. Nesse contexto, um comunicado interno enviado aos funcionários reconhece de forma direta que o negócio “não é saudável”, o que reforça a necessidade de uma redefinição estrutural da marca.
Ainda segundo a mensagem, a decisão não está relacionada ao desempenho individual dos profissionais afetados. Pelo contrário, a Microsoft destaca que muitos desses funcionários tiveram papel fundamental na construção do Xbox ao longo dos anos, seja por meio de aquisições realizadas anteriormente, seja pela escolha de integrar a empresa movidos por paixão pela indústria de games. Dessa forma, a reestruturação é apresentada como uma medida estratégica e não como uma avaliação de mérito individual.
Em termos financeiros, o comunicado aponta um dos principais desafios enfrentados pela divisão: a baixa rentabilidade. De acordo com a própria Microsoft, o Xbox opera atualmente com margens de lucro entre três e dez vezes menores do que empresas comparáveis do setor de plataformas e publicação de jogos. Além disso, a empresa afirma que iniciou a atual geração de consoles com uma base instalada inferior à dos concorrentes, ao mesmo tempo em que lidava com uma estrutura de custos significativamente mais elevada, o que agravou ainda mais o cenário.
Por outro lado, a Microsoft explica que tentou reverter essa situação com base em três pilares estratégicos: a expansão do Game Pass, a publicação de jogos em múltiplas plataformas e o aumento do portfólio de estúdios e conteúdos. No entanto, embora reconheça que essas iniciativas trouxeram valor ao ecossistema Xbox, a companhia admite que o crescimento obtido ficou abaixo das expectativas iniciais.
Consequentemente, enquanto aguardava melhores resultados, a empresa continuou ampliando equipes, elevando investimentos e prolongando projetos em desenvolvimento. No entanto, esse movimento acabou contribuindo para a deterioração do desempenho do negócio principal. Além disso, a Microsoft cita o que descreve como uma “crise de hardware mais severa da história da indústria”, fator que teria tornado inevitável uma revisão completa da estratégia da divisão.
Um dos pontos mais sensíveis do memorando envolve uma revelação financeira significativa: em um ano típico, o Xbox chegou a perder 64 centavos para cada dólar investido em determinados estúdios e operações. Dessa forma, a empresa afirma que pretende ajustar seu modelo de atuação, priorizando ferramentas abertas de desenvolvimento e ampliando o acesso para que criadores independentes publiquem jogos sem depender necessariamente da estrutura interna do Xbox.
Por fim, o comunicado também traz uma rara autocrítica sobre a estratégia de aquisições iniciada em 2018. Segundo a Microsoft, a expansão agressiva do portfólio ocorreu em um momento em que o volume de produção da indústria de jogos cresceu de forma exponencial, alterando completamente o cenário competitivo. Assim, a empresa reconhece que não é viável — nem necessariamente desejável — adquirir todos os estúdios independentes de destaque, já que nem todos se encaixam de forma eficiente dentro do ecossistema do Xbox.

