Atriz de Aloy defende mais protagonistas babacas nos games: “Chega de personagens sérios e perfeitos”
Ashly Burch, conhecida por interpretar Aloy na franquia Horizon, revelou que já acumulou mais de 270 horas em Slay the Spire II, atualmente em acesso antecipado. No entanto, durante uma entrevista ao PC Gamer, a atriz acabou chamando atenção por outro motivo: uma crítica direta à forma como muitos protagonistas são retratados na indústria dos videogames.
Segundo Burch, os jogos modernos estão saturados de heróis excessivamente sérios, estoicos e durões, enquanto personagens mais imperfeitos, arrogantes ou até mesmo irritantes acabam sendo raridade.
Slay the Spire II virou uma obsessão para a atriz
A atriz explicou que grande parte de seu tempo livre recentemente foi dedicada ao roguelike da Mega Crit, que ela considera um exemplo de equilíbrio entre habilidade e sorte.
De acordo com Burch, o título não se apoia em uma única mecânica brilhante, mas sim em uma combinação de inúmeras decisões de design bem executadas que funcionam em conjunto para criar uma experiência extremamente viciante.
Ela revelou que chegou a passar sessões de até dez horas seguidas tentando avançar nos níveis mais altos de dificuldade, especialmente enquanto buscava alcançar a Ascensão 10. Embora também tenha experimentado o modo cooperativo, a maior parte de suas centenas de horas foi dedicada ao conteúdo single-player.
O personagem que inspirou sua crítica aos games
Entre os elementos que mais chamaram sua atenção em Slay the Spire II está o Regent, um dos novos personagens do jogo.
Descrito pela atriz como um governante arrogante, mimado e excessivamente vaidoso, o personagem conquistou sua simpatia justamente por fugir dos padrões mais comuns vistos na indústria. Burch destacou um detalhe visual que demorou várias partidas para perceber: o trono do personagem é sustentado por dois servos que lutam para suportar seu peso, criando uma piada visual que ajuda a definir sua personalidade sem a necessidade de diálogos.
Para ela, esse tipo de construção transmite informações valiosas ao jogador de maneira natural e divertida, algo que considera cada vez mais raro nos grandes lançamentos.
“Quero mais personagens babacas e irritantes”
Foi ao comentar o Regent que Burch expandiu sua análise sobre a narrativa nos videogames atuais.
Na visão da atriz, muitos estúdios continuam recorrendo ao arquétipo do protagonista silencioso, frio e imperturbável, criando personagens que acabam se parecendo demais entre si. Por isso, ela acredita que a indústria deveria investir mais em figuras excêntricas, falhas e até desagradáveis.
Segundo Burch, quando surge um personagem arrogante, mimado ou simplesmente irritante, ele tende a se destacar justamente porque quebra a monotonia criada pela repetição dos mesmos perfis de heróis. Para ela, existe espaço para protagonistas mais humanos, imperfeitos e imprevisíveis, capazes de gerar reações mais fortes no público.
Muito além de Horizon
Embora seja mundialmente conhecida pelo papel de Aloy, Ashly Burch construiu uma carreira repleta de personagens marcantes. Além de estrelar a série Horizon, ela também deu voz a Tiny Tina em Borderlands II e a Parvati Holcomb em The Outer Worlds.
Fora dos videogames, a atriz integra o elenco da série de comédia Mythic Quest, do Apple TV+, e mantém o projeto independente I’m Happy You’re Here, uma produção voltada para humor e discussões sobre saúde mental publicada no YouTube.
Os jogos que ocupam seu tempo atualmente
Durante a entrevista, Burch também comentou outros títulos que vêm consumindo suas horas de jogatina.
Um deles é The Incident at Galley House, jogo de investigação que a levou a recorrer a um caderno físico para organizar pistas e teorias. Ela revelou que teve a mesma experiência com títulos como Blue Prince e Lorelei and the Laser Eyes, reforçando sua paixão por jogos focados em mistérios e dedução.
Entre suas maiores referências no gênero estão Return of the Obra Dinn e Chants of Sennaar, ambos elogiados pela forma como desafiam os jogadores a desvendar informações por conta própria.
Já quando o assunto é multiplayer, existe um título que permanece instalado em seu computador há anos: League of Legends. A atriz costuma jogar partidas de ARAM com amigos, hábito que começou durante a pandemia e continua até hoje.
Por outro lado, o último jogo removido de sua biblioteca foi Fields of Mistria. Apesar da desinstalação, ela fez questão de elogiar o título, destacando especialmente a personalidade distinta de seus personagens e afirmando que as três crianças da vila estão entre os integrantes mais interessantes do elenco.














