A situação da Bungie antes de sua aquisição pela Sony por US$ 3,6 bilhões em 2022 era muito mais delicada do que o público imaginava. A revelação veio de Liana Ruppert, ex-chefe de comunidade do estúdio, que afirmou que a desenvolvedora de Destiny estava perigosamente próxima do colapso financeiro e poderia ter encerrado suas operações caso o acordo não tivesse sido concluído naquele momento.
Segundo Ruppert, a compra realizada pela Sony funcionou como uma verdadeira operação de resgate. De acordo com ela, a Bungie já havia ultrapassado limites críticos internamente e enfrentava um cenário que colocava em risco a continuidade da franquia Destiny e do próprio estúdio.
“Bungie estava abaixo da linha vermelha antes da aquisição pela Sony. Se ela não tivesse sido adquirida naquele momento, o estúdio estava muito perto de fechar suas portas, pelo menos no que diz respeito a Destiny. Foi uma aquisição de emergência”, declarou a ex-executiva.
A declaração chama atenção porque, do lado de fora, os sinais pareciam apontar para uma realidade diferente. Na época, Destiny 2 vivia um período considerado positivo. A expansão Beyond Light havia alcançado bons resultados comerciais, enquanto The Witch Queen registrava números recordes de pré-venda, conforme divulgado oficialmente pela própria Bungie. Além disso, a base de jogadores permanecia consistente nas plataformas, especialmente no PC.
Entretanto, o sucesso aparente do jogo não refletia necessariamente a saúde financeira da empresa. Após sua separação da Activision, a Bungie assumiu integralmente a publicação e a operação de Destiny 2, passando a arcar sozinha com os elevados custos de manutenção de um MMO de grande escala. Servidores, atualizações frequentes, suporte técnico, produção de conteúdo contínuo e equipes dedicadas ao serviço ao vivo representam investimentos gigantescos, que podem consumir rapidamente a receita gerada pelo jogo.
Após a aquisição, a Sony concedeu ampla autonomia ao estúdio, acreditando que a experiência da Bungie em jogos live-service poderia ajudar a impulsionar iniciativas semelhantes dentro da divisão PlayStation. Porém, os resultados ficaram abaixo das expectativas. Recentemente, a Sony registrou uma perda contábil significativa relacionada ao valor da Bungie, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo estúdio nos últimos anos e o desempenho abaixo do esperado de Marathon.
O cenário atual também levanta preocupações. Relatórios recentes apontam que a Bungie estaria apresentando propostas para novos projetos, mas ainda sem aprovações definitivas para futuros grandes lançamentos. Além disso, não existem indicações de que Destiny 3 esteja em desenvolvimento ativo neste momento, enquanto as grandes expansões de Destiny 2 chegaram oficialmente ao fim.
Em meio às incertezas, Ruppert aproveitou para destacar que o público raramente tem acesso ao que acontece nos bastidores da indústria. Segundo ela, mudanças importantes estão ocorrendo no setor de tecnologia e games, muitas vezes sem que jogadores e comunidades percebam a gravidade das situações enfrentadas pelos estúdios.
A ex-chefe de comunidade também deixou uma mensagem direcionada aos fãs, incentivando uma relação mais saudável com os jogos e com as discussões da indústria. Para ela, a melhor forma de apoiar um estúdio é continuar acompanhando seu trabalho sem permitir que especulações e preocupações excessivas acabem prejudicando a paixão pelos videogames.
Diante desse contexto, a declaração de Ruppert oferece uma nova perspectiva sobre uma das maiores aquisições da história da indústria dos games. O que parecia apenas uma expansão estratégica da Sony pode ter sido, na prática, a ação que impediu o desaparecimento de uma das desenvolvedoras mais influentes do mercado.

