CEO da Xbox admite incerteza sobre aquisição da Activision Blizzard: “Ainda é cedo para avaliar”
Quase dois anos após concluir a maior aquisição da história da indústria dos videogames, a Microsoft ainda não consegue afirmar com convicção se o negócio realmente entregou o retorno esperado. Durante sua participação no Bloomberg Tech 2026, a CEO da Xbox, Asha Sharma, foi questionada sobre os resultados da compra da Activision Blizzard, avaliada em US$ 68,7 bilhões. Embora tenha destacado a força das propriedades adquiridas, a executiva evitou classificar a operação como um sucesso financeiro definitivo.
Ao comentar a aquisição, Sharma elogiou amplamente o portfólio da Activision Blizzard King. Segundo ela, a franquia Call of Duty já gera uma receita superior à do Universo Cinematográfico Marvel, enquanto Candy Crush permanece entre os aplicativos mais populares do planeta. Além disso, a executiva citou World of Warcraft como outro exemplo da relevância das marcas que passaram a integrar o ecossistema da Microsoft.
No entanto, quando a discussão se voltou para o impacto financeiro da compra, a resposta foi mais cautelosa. Sharma destacou que a negociação ocorreu em um contexto completamente diferente do atual, antes da explosão da inteligência artificial generativa e em um período no qual a estratégia da Microsoft ainda era fortemente baseada no mercado de consoles.
“Eu amo a Activision Blizzard King. Ela foi comprada em uma época anterior ao ChatGPT. Foi adquirida quando nossa estratégia era predominantemente focada nos consoles e quando ainda estávamos enfrentando os efeitos da pandemia. Por isso, é difícil analisar essas decisões hoje. Ainda assim, acredito que são ativos extraordinários e continuamos investindo neles”, afirmou a CEO.
Demissões e reestruturações marcaram o pós-aquisição
As declarações de Sharma ganham ainda mais peso quando analisadas ao lado das medidas adotadas pela Microsoft desde a conclusão da fusão. Em janeiro de 2024, a companhia anunciou o corte de aproximadamente 1.900 funcionários ligados às divisões de games. Poucos meses depois, a empresa fechou estúdios como Arkane Austin, Alpha Dog Games e Tango Gameworks, responsável pelo elogiado Hi-Fi Rush.
Posteriormente, em setembro de 2024, outros 650 profissionais foram desligados da área de jogos. Já em julho de 2025, uma nova rodada de cortes atingiu cerca de 4% da força de trabalho global da Microsoft, afetando diretamente equipes da King, Zenimax e The Initiative, empresas que passaram a integrar a gigante de Redmond por meio de aquisições.
Diante desse cenário, a Microsoft segue apostando no potencial de franquias como Call of Duty, Candy Crush e World of Warcraft. Entretanto, apesar da dimensão histórica do negócio, nem mesmo a liderança da divisão Xbox está preparada para declarar se os US$ 68,7 bilhões investidos na Activision Blizzard representaram, de fato, um sucesso para a companhia.















