Co-criador de Duke Nukem dispara: id Software está ‘essencialmente morta’ após onda de demissões
As recentes demissões promovidas pela Microsoft continuam gerando forte repercussão na indústria dos games. Entre as vozes mais críticas está George Broussard, cofundador da Apogee e co-criador de Duke Nukem 3D, que afirmou que a id Software está “essencialmente morta” após os cortes realizados na divisão Xbox.
A declaração surgiu nas redes sociais poucos dias depois de a Microsoft realizar o que já é considerado por muitos analistas como a maior reestruturação da história do Xbox. Embora o estúdio responsável por franquias históricas como Doom e Quake continue oficialmente em atividade, Broussard acredita que a perda de profissionais compromete seriamente sua identidade e capacidade criativa.
Quase metade da id Software teria sido demitida
Segundo informações compartilhadas pelo ex-executivo da Bethesda Jeff Gardiner, cerca de 95 funcionários foram desligados da id Software. Considerando que o estúdio possuía aproximadamente 200 colaboradores, de acordo com dados públicos do LinkedIn, os cortes representariam quase metade de toda a equipe.
Além disso, Broussard afirmou ter recebido relatos de pessoas ligadas ao estúdio sobre quais departamentos foram mais afetados. De acordo com essas informações, equipes de ferramentas internas, programação, testes de qualidade e até profissionais envolvidos com Quake Champions teriam sido dispensados.
Em uma de suas publicações, ele afirmou que a estrutura remanescente parece concentrada principalmente em liderança, arte e design. Por isso, o veterano da indústria acredita que a desenvolvedora perdeu boa parte da base técnica que ajudou a transformar a id Software em uma das empresas mais influentes da história dos jogos de tiro em primeira pessoa.
“A id Software está essencialmente morta”
Para Broussard, o impacto das demissões vai muito além dos números. Em sua visão, a desenvolvedora deixou de ser uma força criativa independente e passou a atuar apenas como suporte para outros projetos da Bethesda.
Ele também lamentou o possível enfraquecimento da tecnologia idTech, motor gráfico que impulsionou diversos títulos marcantes ao longo das últimas décadas. Segundo o desenvolvedor, ainda existe a possibilidade de outros estúdios da Bethesda, como a MachineGames, continuarem utilizando e evoluindo a tecnologia. Entretanto, ele acredita que o futuro da engine permanece incerto.
Apesar do tom crítico, Broussard reconheceu que a empresa não foi encerrada e que parte significativa dos funcionários permaneceu empregada. Ainda assim, sua avaliação é que a identidade histórica da id Software sofreu um duro golpe.
Estúdios independentes enfrentam futuro incerto
Paralelamente às demissões, a Microsoft anunciou a separação de cinco estúdios, que passarão a operar de forma independente ou sob novos proprietários. Entre eles estão Double Fine e Compulsion Games, que manterão os direitos sobre suas respectivas propriedades intelectuais.
Enquanto isso, Undead Labs continua trabalhando em State of Decay 3, e a Ninja Theory segue desenvolvendo o projeto Senua. No entanto, ainda existem dúvidas sobre o futuro financeiro dessas empresas e sobre quem assumirá o controle delas nos próximos meses.
Broussard vê a medida com cautela. Embora reconheça que a independência possa representar uma nova oportunidade para os estúdios, ele acredita que a situação também traz riscos consideráveis. Segundo ele, muitas dessas equipes venderam suas operações para a Microsoft justamente em busca de estabilidade financeira.
Agora, fora da estrutura da gigante de Redmond, os estúdios precisarão buscar rapidamente novos investidores, acordos de publicação ou fontes de financiamento. Caso contrário, poderão enfrentar dificuldades para manter suas operações no longo prazo.
Dessa forma, as recentes mudanças promovidas pela Microsoft continuam alimentando debates sobre o futuro do Xbox, da Bethesda e de alguns dos estúdios mais tradicionais da indústria dos videogames.















