Bruce Nesmith comenta alta nos preços e levanta possibilidade de jogos a US$ 100
Bruce Nesmith, designer líder de The Elder Scrolls V: Skyrim e veterano da Bethesda, voltou a repercutir nas redes ao comentar o aumento no preço dos jogos e, além disso, a possibilidade de títulos premium chegarem ao valor de US$ 100. Em entrevista recente, o desenvolvedor analisou o cenário atual da indústria e, ao mesmo tempo, destacou fatores econômicos, mudanças no comportamento do consumidor e o futuro do mercado para grandes franquias.
Durante a conversa com o PressBoxPR, Nesmith relembrou que o preço padrão de lançamentos ficou praticamente congelado por um longo período. Segundo ele, essa estabilidade não acompanhou a inflação e, consequentemente, tampouco refletiu o aumento do custo de produção. “Por 15 anos, o preço de um jogo recém-lançado foi de US$ 60. Durante 15 anos, não mudou. Nem mesmo um aumento para compensar o custo de vida. Nem mesmo reconhecendo a inflação”, afirmou.
Ainda assim, ele explicou que, diante desse histórico, não consegue criticar totalmente os reajustes recentes, já que o setor passou anos absorvendo perdas enquanto os custos aumentavam. Ou seja, para Nesmith, a alta atual pode ser vista como uma correção tardia do mercado e, portanto, não apenas como ganância das empresas.
US$ 100 não seria o ideal, porém pode acontecer
Apesar de reconhecer o contexto, Nesmith demonstrou cautela ao falar sobre uma possível precificação ainda mais agressiva. Para ele, elevar os preços para patamares como US$ 100 pode ser uma decisão arriscada, principalmente porque o cenário econômico global continua instável.
“Economias ao redor do mundo estão enfrentando dificuldades. Pessoalmente, acho que os desenvolvedores de jogos seriam sábios em não elevar ainda mais os preços”, ponderou. No entanto, ele também destacou que o público gamer costuma reagir de maneira diferente quando se trata de franquias muito desejadas. “Mas jogadores são uma raça especial. Eles pagarão pelo que desejam”, completou.
Portanto, mesmo que o valor pareça alto, Nesmith acredita que, em muitos casos, a paixão do público por grandes franquias pode acabar superando a resistência inicial ao preço.
The Elder Scrolls 6 e a influência direta da Microsoft
Ao comentar sobre The Elder Scrolls 6, Nesmith reforçou que a Microsoft terá papel decisivo na estratégia de lançamento e, consequentemente, no preço final do jogo. Afinal, como atual proprietária da Bethesda, a empresa deve definir a abordagem com base no comportamento do mercado no momento em que o título estiver pronto.
“Acho que provavelmente venderão The Elder Scrolls 6 pelo preço padrão da indústria na época. Se os consumidores estiverem aceitando US$ 80, será esse o preço. Se estiverem aceitando US$ 100, será esse o preço”, explicou.
Dessa forma, o valor final não dependeria apenas do tamanho da produção, mas também daquilo que o público estiver disposto a pagar quando o jogo chegar às lojas.
Assinaturas podem ser o próximo passo do mercado
Por fim, outro ponto relevante levantado pelo ex-designer foi a possibilidade de uma mudança mais profunda no modelo de negócios. Segundo ele, o futuro pode estar menos ligado ao preço fixo de compra e, em vez disso, mais voltado para assinaturas e pagamentos contínuos.
“O que me surpreende é que não perguntaram sobre um possível modelo de assinatura. Um modelo de pagamento contínuo. É para onde tudo parece estar indo atualmente”, afirmou Nesmith, sugerindo que o setor pode caminhar para um formato parecido com serviços, onde o jogador paga de forma recorrente para ter acesso a conteúdos e lançamentos.
Assim, caso esse modelo se torne padrão, o debate sobre jogos custarem US$ 80 ou US$ 100 pode perder força, já que o consumidor passaria a investir em acesso contínuo, e não em compras individuais.