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Designer de The Witcher defende cartas de sexo e revela por que não se arrepende da mecânica polêmica

The Witcher 3

As famosas cartas de sexo de The Witcher continuam sendo um dos elementos mais controversos da história da franquia. Quase duas décadas após o lançamento do RPG original, o assunto voltou ao centro das atenções graças a uma nova declaração de Artur Ganszyniec, designer de história do primeiro jogo. Em entrevista ao portal polonês CHIP, o desenvolvedor explicou como a mecânica surgiu durante a produção, revelou os desafios enfrentados pela equipe e afirmou que não sente vergonha do sistema, apesar de reconhecer que algumas situações não envelheceram tão bem.

Designer explica como nasceram as cartas de sexo de The Witcher

Para quem não jogou o título lançado em 2007, The Witcher apresentava um sistema de romance bastante diferente do que se tornou padrão nos RPGs modernos. Em vez de cenas cinematográficas elaboradas, os relacionamentos de Geralt de Rívia eram recompensados com cartas ilustradas em 2D, que funcionavam como uma espécie de registro visual das conquistas amorosas do protagonista.

Segundo Ganszyniec, a decisão não nasceu de uma grande estratégia criativa, mas sim de uma necessidade prática durante o desenvolvimento. Afinal, a equipe entendia que o romance era uma parte essencial do universo criado por Andrzej Sapkowski. No entanto, produzir dezenas de cenas exclusivas para cada personagem estava fora do alcance do estúdio naquele momento.

De acordo com o designer, o processo aconteceu de forma bastante natural. A equipe identificou que os romances precisavam existir no jogo, mas logo percebeu que criar inúmeras cutscenes consumiria tempo e recursos que não estavam disponíveis. Como alternativa, surgiu a ideia de utilizar ilustrações em 2D para representar esses momentos.

Embora ele admita não lembrar exatamente como a decisão foi tomada, Ganszyniec acredita que a solução foi resultado de um processo orgânico típico do desenvolvimento de jogos. Além disso, ele destacou que, quando uma funcionalidade já está implementada em versões iniciais do projeto, removê-la costuma ser muito mais difícil do que muitos imaginam.

Nem todas as situações funcionaram como planejado

Apesar de defender a existência do sistema, o desenvolvedor reconhece que algumas interações acabaram produzindo resultados estranhos ou até mesmo involuntariamente engraçados. Segundo ele, havia momentos em que a narrativa simplesmente não conseguia transmitir a intenção desejada.

O designer afirmou que, em alguns casos, os diálogos e situações pareciam absurdos quando vistos em retrospectiva. Para ele, isso faz parte do processo criativo, já que nem toda ideia funciona da forma imaginada quando finalmente chega às mãos dos jogadores.

Ainda assim, Ganszyniec acredita que as cartas cumpriram seu papel em muitos momentos. Na visão dele, elas serviam como um recurso narrativo simplificado, permitindo que o jogador entendesse que determinados acontecimentos faziam parte de uma história maior, mesmo sem a necessidade de uma cena completa.

Sistema polêmico não gera arrependimento

Apesar das críticas que o recurso recebeu ao longo dos anos, Ganszyniec afirmou que não se arrepende da escolha. O desenvolvedor destacou que a CD Projekt Red trabalhou com as limitações técnicas e financeiras disponíveis em 2007 e que, considerando o contexto da época, a solução foi adequada.

Além disso, o sucesso do primeiro The Witcher mostra que a mecânica não comprometeu a recepção do jogo. Pelo contrário, o RPG serviu como base para o crescimento da franquia, que mais tarde alcançaria reconhecimento mundial com The Witcher 2: Assassins of Kings e, principalmente, The Witcher 3: Wild Hunt.

Enquanto isso, os fãs aguardam novidades sobre o remake do primeiro The Witcher, atualmente em desenvolvimento pela CD Projekt Red. Até o momento, o estúdio não revelou se o polêmico sistema de cartas retornará na nova versão. No entanto, considerando as mudanças na indústria e a evolução da própria franquia, muitos acreditam que a mecânica poderá ser reformulada ou até mesmo substituída por uma abordagem mais moderna.

 

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