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Devs de The Witcher 3 queriam um Geralt sem emoções, mas dublador defendeu: “Ele é um ser emocional”

The Witcher 3 Complete Edition

O ator Doug Cockle, responsável pela voz de Geralt de Rívia nos jogos da franquia The Witcher, revelou em uma nova entrevista ao Tom’s Guide que a CD Projekt Red inicialmente queria um protagonista praticamente sem emoções. No entanto, o dublador discordou da direção e defendeu uma interpretação mais humana para o bruxo, ajudando a moldar o Geralt que os jogadores conhecem atualmente.

Durante as gravações, Cockle afirma que uma das orientações que mais recebia da equipe era bastante direta: “Sem emoção, Doug. Sem emoção. Deixe-o sem expressão.” Embora entendesse a proposta dos desenvolvedores, o ator não acreditava que essa abordagem funcionaria para o personagem.

Além disso, Cockle não tinha referências externas para construir sua interpretação. Na época, ele ainda não havia lido os livros de Andrzej Sapkowski nem assistido à adaptação polonesa de The Witcher. Dessa forma, seu principal material de apoio vinha das informações e orientações fornecidas pela própria CD Projekt Red.

Doug Cockle defendeu um Geralt mais humano

A principal discordância de Cockle partia de uma questão simples: um personagem completamente desprovido de emoções teria dificuldades para criar uma conexão genuína com o público.

“Como seres humanos, como podemos nos relacionar com isso? Não somos criaturas sem emoções”, argumentou o ator. Para ele, os sentimentos são fundamentais não apenas para a construção de Geralt, mas também para a própria narrativa.

Cockle explica que sua visão sempre foi a de um Geralt que possui emoções, mas tenta constantemente impedir que elas controlem suas decisões. Essa contradição, segundo o ator, é justamente uma das características que tornam o personagem tão interessante.

“Ele é um ser emocional, ele tem emoções, mas tenta muito não deixá-las ditar as ações que toma”, explicou.

Essa interpretação também ajuda a entender a relação de Geralt com Ciri, sua filha adotiva e personagem central de The Witcher 3: Wild Hunt. Ao longo da aventura, o bruxo toma diversas decisões motivadas pelo desejo de protegê-la.

“Se ele não tivesse emoções, ele não faria essas escolhas”, destacou Cockle.

CD Projekt Red mudou a abordagem ao longo da franquia

Segundo o ator, sua interpretação acabou ganhando cada vez mais espaço conforme a franquia avançava. Os roteiristas da CD Projekt Red teriam ficado mais confortáveis com a ideia de apresentar um Geralt emocional sem abandonar o comportamento frio e calculista característico do personagem.

“Conforme a franquia de jogos avançava, os roteiristas se sentiram mais confiantes de que ele poderia ser um ser emocional e ainda assim ter um lado um pouco mecânico”, afirmou.

Essa evolução pode ser percebida principalmente em The Witcher 3: Wild Hunt e em sua expansão Blood and Wine. Embora Geralt continue demonstrando a frieza típica de um bruxo da Escola do Lobo, suas relações e decisões revelam progressivamente novas camadas de sua personalidade.

Vale lembrar que Cockle já havia comentado sobre o assunto em 2018, quando também afirmou nunca ter enxergado Geralt como um personagem completamente desprovido de sentimentos. A nova entrevista ao Tom’s Guide, portanto, retoma uma discussão antiga e mostra como a interpretação do ator ajudou a definir a personalidade do protagonista ao longo da série.

A discussão também ganha relevância enquanto os fãs aguardam os próximos passos da franquia, especialmente The Witcher 4, que terá Ciri como protagonista. A maneira como a CD Projekt Red continuará trabalhando a personalidade e as relações dos personagens será um dos pontos de maior interesse na nova fase da série.

 

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