Diretor de Clair Obscur: Expedition 33 revela como Dark Souls inspirou a narrativa do RPG
Clair Obscur: Expedition 33 foi desenvolvido com forte influência das obras da FromSoftware. No entanto, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a principal inspiração não veio do combate desafiador que consagrou séries como Dark Souls e Elden Ring. Em vez disso, a equipe da Sandfall Interactive buscou referências na forma como esses jogos contam suas histórias, incentivando os jogadores a descobrir respostas por conta própria.
A revelação foi feita por Guillaume Broche, diretor criativo do RPG, durante uma entrevista concedida ao canal Video Game Club. Segundo ele, a abordagem narrativa adotada em Expedition 33 nasceu da admiração pela maneira como a FromSoftware constrói mundos ricos em mistérios, sem explicar todos os detalhes diretamente ao público.
A grande lição aprendida com Dark Souls
De acordo com Broche, o que torna os jogos Souls tão especiais vai muito além da dificuldade elevada. Para ele, o verdadeiro diferencial está na narrativa fragmentada, que desafia os jogadores a conectar informações espalhadas pelo mundo do jogo.
“Para mim, o que eu amo em Elden Ring é a exploração, o não entender tudo, e tentar montar o quebra-cabeça”, afirmou o diretor.
Além disso, ele revelou ser um grande fã da fórmula criada pela FromSoftware. Segundo Broche, completou todos os jogos da série Souls e considera a franquia uma verdadeira obsessão pessoal.
O desenvolvedor também destacou uma sensação bastante comum entre os jogadores desses títulos: terminar a aventura sem compreender totalmente todos os acontecimentos. “A maioria dos jogadores de Souls termina o jogo pela primeira vez e não entendeu nada”, comentou.
Curiosamente, ele admite que passou pela mesma experiência. Mesmo apaixonado pelos jogos, Broche afirma que também concluiu suas primeiras jornadas sem entender completamente o lore apresentado.
Um universo que parece vivo e coerente
Apesar disso, o diretor acredita que a grande força dos jogos da FromSoftware está na consistência de seus universos. Mesmo quando o jogador não possui todas as respostas, existe a percepção de que cada detalhe faz parte de algo maior.
Segundo ele, quando os fãs decidem mergulhar mais fundo na história, descobrem uma mitologia extremamente rica e cuidadosamente planejada. Como resultado, surge a sensação de que tudo possui propósito e coerência, mesmo quando nem todas as peças do quebra-cabeça estão visíveis.
Essa característica, aliás, é algo que Broche admira não apenas nos videogames, mas também em filmes e outras formas de entretenimento. Para ele, as melhores histórias são aquelas que estimulam a reflexão e permitem diferentes interpretações.
Como essa filosofia influenciou Expedition 33
Ao criar Clair Obscur: Expedition 33, a Sandfall Interactive procurou aplicar esse mesmo princípio. Entretanto, o estúdio optou por uma abordagem mais acessível do que a encontrada em Dark Souls ou Elden Ring.
Dessa forma, os jogadores acompanham uma narrativa clara, com cenas cinematográficas e um arco principal bem definido. Ainda assim, compreender todos os detalhes do universo, dos personagens e dos eventos exige atenção aos pequenos elementos espalhados pela aventura.
“Há uma história, há cutscenes. No geral, todo mundo mais ou menos entende o que está acontecendo, mas para entender completamente, eu realmente queria que as pessoas exercitassem o cérebro e fossem levadas a pensar por si mesmas”, explicou o diretor.
Por fim, Broche resumiu toda a filosofia narrativa do projeto em uma frase simples, mas bastante reveladora: “Não quis dar tudo mastigado para o jogador”.
Com isso, Clair Obscur: Expedition 33 busca encontrar um equilíbrio entre narrativa tradicional e descoberta orgânica. Enquanto a trama principal permanece acessível para a maioria dos jogadores, aqueles que explorarem cada detalhe encontrarão camadas adicionais de significado, exatamente como acontece nos jogos que serviram de inspiração para a equipe de desenvolvimento.















