Mike Brown, ex-diretor criativo de Forza Horizon 5 na Playground Games, comentou recentemente sobre o momento turbulento vivido pela divisão de games da Microsoft e compartilhou sua visão sobre o Xbox Game Pass. Durante participação no podcast MinnMax, o desenvolvedor afirmou que a proposta do serviço de assinatura era promissora, mas que acabou não alcançando a escala necessária para sustentar o modelo de negócios idealizado pela empresa.
As declarações surgem em meio a uma fase de grandes mudanças dentro da Microsoft Gaming, marcada por reestruturações, cortes e ajustes estratégicos que vêm impactando diversos estúdios e equipes ao redor do mundo.
Mike Brown acredita que o conceito do Game Pass era sólido
Brown deixou a Playground Games em 2022 após quase uma década trabalhando na franquia Forza Horizon. Atualmente, ele lidera a Maverick Games, estúdio responsável pelo desenvolvimento de Clutch, um novo jogo de corrida.
Mesmo distante da Microsoft, o desenvolvedor afirmou acompanhar os acontecimentos recentes e demonstrou tristeza com a situação enfrentada pela divisão Xbox.
“Minha opinião sobre esse negócio do Xbox é, olhando de fora como todo mundo, que tudo isso é realmente triste e muito infeliz.”
Segundo Brown, o principal problema não foi a proposta do Game Pass, mas sim a dificuldade em atingir uma quantidade de assinantes capaz de tornar o serviço financeiramente sustentável a longo prazo.
“O conceito do Game Pass era bom”, afirmou o ex-diretor. “A Microsoft investiu enormes quantias nessa visão, o que resultou na aquisição de diversos estúdios, no financiamento de inúmeros projetos e na criação de muitas oportunidades de trabalho. A ideia era construir um catálogo constante de jogos para manter os assinantes engajados.”
Falta de crescimento impactou estúdios e equipes
De acordo com Brown, o plano dependia diretamente do crescimento contínuo da base de usuários. No entanto, esse crescimento não teria acontecido no ritmo esperado.
“O problema é que menos pessoas assinaram o serviço do que o necessário, e os valores pagos não foram suficientes para sustentar todo o ecossistema criado em torno dessa estratégia”, explicou.
Para ele, essa situação acabou gerando consequências negativas para toda a indústria, especialmente para os estúdios que dependiam dos investimentos associados ao modelo de assinatura.
“É realmente triste porque agora estamos vendo estúdios sendo fechados e profissionais perdendo seus empregos. Na minha visão, isso é resultado de uma ideia bem-intencionada, focada nos jogadores e na acessibilidade dos games, mas que simplesmente não conseguiu atingir o nível de adoção necessário para prosperar.”
Brown também destacou que o serviço ajudou a viabilizar projetos que talvez nunca saíssem do papel em um modelo tradicional de mercado. Segundo ele, caso mais jogadores tivessem aderido ao Game Pass, haveria recursos suficientes para manter muitos desses estúdios ativos e continuar financiando novos projetos.
Ex-diretor sai em defesa de Sarah Bond
Além de comentar sobre o Game Pass, Brown também aproveitou para defender Sarah Bond das críticas que vêm circulando nas redes sociais.
Parte da comunidade passou a responsabilizar executivos da divisão Xbox pelos recentes problemas enfrentados pela marca. No entanto, o ex-diretor afirmou que muitas dessas críticas são feitas por pessoas que desconhecem o trabalho realizado nos bastidores.
“As pessoas que atacam a Sarah nas redes sociais não sabem como ela trabalha, não conhecem sua rotina e nem o papel que ela desempenha dentro da empresa”, declarou.
Brown foi além e fez elogios contundentes à executiva, destacando sua capacidade de liderança e visão estratégica.
“Sempre gostei muito da Sarah Bond. Toda vez que ela falava, demonstrava inteligência, clareza e competência. Ela é o tipo de pessoa cuja capacidade impressiona imediatamente. Você percebe rapidamente que está diante de alguém extremamente preparado.”
As declarações mostram que, mesmo após deixar a Microsoft, Brown continua acompanhando de perto os desafios enfrentados pelo Xbox. Ao mesmo tempo, sua análise reforça um debate cada vez mais presente na indústria: até que ponto modelos de assinatura conseguem sustentar os elevados custos de desenvolvimento dos jogos modernos sem depender de um crescimento constante da base de usuários.

