O co-criador de Halo e considerado o “pai do Master Chief”, Marcus Lehto, usou o X (antigo Twitter) para criticar as escolhas visuais de Halo: Campaign Evolved, remake desenvolvido pelo Halo Studios.
O principal alvo de sua insatisfação é a representação da tecnologia Forerunner, criada pela antiga civilização alienígena responsável pela construção dos anéis que dão nome à franquia. Mais especificamente, Lehto questionou a aparência do anel exibido no menu principal do jogo. Em um tuíte acompanhado de uma imagem comparativa, ele foi direto ao ponto:
“Embora a tecnologia Forerunner fosse de metal (e não de pedra), ela também era antiga, vasta, viva e um túmulo para os horrores que ali se escondiam. Ela testemunhou centenas de milênios de conflito. No entanto, o jogo a mostra como um metal brilhante que parece ter sido construído há poucos anos.”
O anel de Halo perdeu o impacto, segundo Lehto
While Forerunner tech was metal (not stone) it was also ancient, vast, alive, and a tomb to the horrors that lurked within. It had seen hundreds of millennia of conflict. Yet the game shows it as shiny metal that looks like it was built a few years ago. pic.twitter.com/omp8Pwp76p
— Marcus Lehto (@game_fabricator) August 13, 2026
Para quem acompanha a franquia, o anel Halo exibido no menu principal é muito mais do que um simples elemento visual. Afinal, é uma das primeiras imagens apresentadas ao jogador ao iniciar o game e aparece acompanhada pela icônica melodia coral que se tornou uma das marcas da série.
Por isso, Marcus Lehto não poupou críticas ao avaliar a nova representação do cenário:
“O anel do menu principal é a coisa mais desagradável que vemos toda vez que iniciamos o jogo. Ele deveria transmitir uma sensação de imponência, escuridão, mistério, sinistro, mas também de maravilha. Este novo anel parece um brinquedo novo e brilhante, desproporcional, sem mistério nenhum, simplesmente horrível.”
Além da textura e do acabamento do anel, Lehto também apontou problemas na composição do fundo estrelado.
Na lore original, o anel em que Master Chief pousa no primeiro Halo está localizado nas bordas da Via Láctea, em uma região extremamente isolada do universo. Para Lehto, destacar a galáxia no fundo de Campaign Evolved enfraquece justamente essa sensação de isolamento e de vastidão que deveria definir a ambientação.
“Foi longe demais na direção errada”
Lehto reconheceu que a própria equipe original da Bungie estava “completamente perdida em 2000” quando o assunto era estabelecer a direção artística dos Forerunners. Ainda assim, segundo ele, o Halo Studios acabou seguindo o caminho oposto do que deveria:
“Foi longe demais na direção errada.”
A crítica chama ainda mais atenção porque Lehto não demonstrava rejeição ao projeto desde o início. Antes do lançamento de Halo: Campaign Evolved, o co-criador chegou a demonstrar entusiasmo com o remake. Dessa forma, sua mudança de tom sugere uma decepção específica com o resultado final da direção de arte.
Embora Lehto não trabalhe diretamente na franquia desde 2011, sua importância histórica para Halo continua enorme. Ele participou da criação do universo e esteve diretamente envolvido no desenvolvimento dos primeiros jogos da série, incluindo Halo: Combat Evolved.
Críticas podem influenciar o futuro de Halo?
Agora, resta saber se o Xbox e o Halo Studios levarão em consideração esse tipo de feedback nos próximos projetos da franquia. A possibilidade de um remake de Halo 2 é um dos pontos que naturalmente entram nessa discussão, especialmente diante das mudanças visuais feitas em Campaign Evolved.
O cenário do remake, por sua vez, já vinha sendo marcado por alguns desafios. Apesar das avaliações positivas da crítica, o jogo teria apresentado desempenho comercial fraco no PS5, com estimativas apontando que as versões de Call of Duty: Black Ops e Call of Duty: Black Ops II teriam superado as vendas do título da Microsoft na plataforma em uma proporção de 16 para 1.
Além disso, logo após o lançamento, diversas posições de contrato foram encerradas pelo estúdio, adicionando mais pressão sobre o desempenho do projeto e sobre os próximos passos do Halo Studios.
No fim, a crítica de Marcus Lehto toca em um ponto especialmente sensível para os fãs: a identidade visual de Halo. Mais do que atualizar gráficos, um remake precisa decidir até onde pode modernizar um clássico sem perder a atmosfera que ajudou a torná-lo marcante. Para o co-criador da franquia, Campaign Evolved teria ultrapassado essa linha.

