A Sony revelou que os reembolsos relacionados às tarifas de importação nos Estados Unidos contribuíram positivamente para os resultados financeiros da divisão PlayStation. A informação ganhou destaque porque a companhia aumentou o preço do PS5 duas vezes no mercado americano enquanto essas taxas ainda estavam em vigor, levantando questionamentos sobre um possível repasse dos valores recuperados aos consumidores.
De acordo com o relatório financeiro do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em junho, a divisão de Games & Network Services registrou lucro operacional de 202 bilhões de ienes. No mesmo período do ano anterior, o resultado havia sido de 148 bilhões de ienes, o que representa um crescimento expressivo de 37%.
Segundo a Sony, o aumento da lucratividade foi impulsionado por diversos fatores. Entre eles, a empresa destacou diretamente os reembolsos das tarifas de importação nos Estados Unidos, além do impacto positivo das taxas de câmbio. Apesar disso, a companhia não informou qual foi o valor exato recebido por meio dessas devoluções.
PS5 acumulou aumentos de até US$ 200
O primeiro reajuste de preços do PS5 nos Estados Unidos entrou em vigor em agosto de 2025. Na ocasião, o modelo com leitor de discos passou a custar US$ 549,99, enquanto a edição digital foi reajustada para US$ 499,99. Já o PS5 Pro chegou ao mercado americano com preço de US$ 749,99. Na época, a Sony justificou a medida citando um cenário econômico global desafiador.
Posteriormente, em 2 de abril de 2026, a empresa anunciou uma nova rodada de aumentos. Com isso, o PS5 padrão passou a ser vendido por US$ 649,99, enquanto a versão digital alcançou US$ 599,99. O PS5 Pro, por sua vez, teve o maior reajuste e passou a custar US$ 899,99.
Somando os dois aumentos, os modelos tradicionais do console ficaram US$ 150 mais caros, enquanto o PS5 Pro acumulou uma alta total de US$ 200. Embora as tarifas tenham sido apontadas como um dos fatores que pressionaram os custos, a Sony também mencionou elementos como inflação, logística, variação cambial, componentes eletrônicos e o aumento no preço das memórias.
Além disso, a companhia afirmou que garantiu estoque suficiente de memória para cumprir suas metas de vendas do PS5 durante o atual ano fiscal. A expectativa é manter a rentabilidade do hardware em patamares semelhantes aos registrados no exercício anterior, mesmo diante das oscilações do mercado de componentes.
Consumidores levam caso à Justiça
A controvérsia em torno dos reajustes já chegou aos tribunais dos Estados Unidos. Uma proposta de ação coletiva protocolada na Califórnia acusa a Sony de ter obtido um benefício duplo: primeiro, ao repassar parte dos custos das tarifas para os consumidores por meio dos aumentos de preço; e depois, ao receber os valores reembolsados pelo governo sem oferecer qualquer compensação aos compradores.
Os autores da ação buscam representar consumidores americanos que adquiriram consoles PlayStation a partir de agosto de 2025. No entanto, o processo ainda está em fase inicial e não há garantia de que será certificado como ação coletiva ou que resultará em pagamentos aos usuários afetados.
As devoluções das tarifas começaram após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro de 2026, que concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não concedia autoridade para a implementação das tarifas em questão. Em seguida, um tribunal comercial determinou que o governo iniciasse o processo de reembolso aos importadores.
Até o momento, a Sony não anunciou qualquer plano para reduzir novamente o preço do PS5 nem para repassar parte dos valores recuperados aos consumidores. Embora o relatório financeiro não confirme que a empresa manterá integralmente esses recursos, o fato de os reembolsos terem sido contabilizados como um fator positivo para o lucro sugere que eles já fazem parte dos resultados financeiros da companhia.