Starfield ainda não chega ao patamar de Fallout e The Elder Scrolls, diz designer
Críticas internas e reflexões sobre o desenvolvimento
Um dos veteranos da Bethesda, Bruce Nesmith, admitiu recentemente que Starfield ainda não atingiu o mesmo patamar de qualidade das consagradas franquias Fallout e The Elder Scrolls. O designer, que já havia trabalhado em títulos icônicos como Oblivion e Skyrim, explicou que a geração procedural usada para criar os planetas do jogo acabou prejudicando a identidade e a imersão do universo.
Durante uma entrevista concedida ao portal FRVR, Nesmith afirmou que o principal problema está na falta de personalidade dos ambientes. Segundo ele, “quando os planetas começam a parecer muito semelhantes e você não sente mais empolgação ao explorá-los, é aí que tudo desmorona”. Assim, embora o jogo apresente uma escala impressionante, a repetição excessiva de cenários fez com que muitos jogadores perdessem o interesse rapidamente.
Além disso, o desenvolvedor ressaltou que a promessa de um universo vivo e diversificado acabou sendo limitada pela própria tecnologia procedural, que, apesar de eficiente, reduziu a variedade esperada em um RPG da Bethesda. Dessa forma, a inovação técnica acabou comprometendo a sensação de descoberta — um dos pilares centrais dos jogos do estúdio.
O desafio de tornar o espaço envolvente
Por outro lado, Bruce Nesmith também apontou dificuldades inerentes ao próprio cenário espacial. Ele revelou que “grande parte do meu trabalho em Starfield foi com dados astronômicos”, destacando que o espaço é “literalmente descrito como vazio”. Assim, criar experiências vibrantes em um ambiente tão vasto e desprovido de estímulos se mostrou um grande desafio.
Além disso, o designer explicou que a locomoção entre áreas não oferece a emoção necessária para manter o jogador constantemente engajado. Em suas palavras, a exploração espacial, apesar de visualmente impressionante, não transmite o mesmo senso de aventura que os mundos de Skyrim ou Fallout proporcionam.
Ainda assim, Starfield mantém uma base sólida de jogadores. Segundo dados recentes do Steam, o RPG conta com cerca de 2.900 usuários simultâneos, enquanto Oblivion Remastered, lançado recentemente, reúne aproximadamente 1.500 jogadores. Essa comparação demonstra que, apesar das críticas, o título ainda conserva um público fiel e interessado em seu potencial de evolução.
Perspectivas para o futuro de Starfield
Apesar das autocríticas, Bruce Nesmith fez questão de reconhecer os méritos do projeto. “Se o mesmo jogo tivesse sido lançado por outra empresa que não a Bethesda, teria sido recebido de maneira diferente. Não acho que esteja no mesmo calibre de Fallout ou The Elder Scrolls, mas ainda considero um bom jogo”, afirmou.
Além disso, a Bethesda já reconheceu publicamente alguns dos problemas mencionados e garantiu que parte da equipe está trabalhando em melhorias significativas. Segundo comunicado recente, o estúdio pretende “tornar as viagens mais recompensadoras” e expandir a variedade de atividades disponíveis durante a exploração.
Por fim, a empresa reforçou que Starfield é um projeto de longo prazo, com planos de atualizações constantes para aprimorar o conteúdo e atender às expectativas da comunidade. Assim, enquanto o título ainda não alcançou o prestígio de suas franquias irmãs, há um esforço contínuo para aproximá-lo desse patamar nos próximos anos.















