The Blood of Dawnwalker é o novo The Witcher? RPG impressiona fãs da fantasia sombria
Desde que foi revelado, The Blood of Dawnwalker despertou a atenção dos fãs de RPG por um motivo muito simples: o jogo é liderado por vários dos principais nomes responsáveis por The Witcher III: Wild Hunt. Agora, após seu lançamento, o título da Rebel Wolves não apenas conquistou a crítica especializada, como também ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas em seus primeiros dias, consolidando-se como uma das grandes estreias do gênero em 2026.
Mas será que ele realmente é o sucessor espiritual que muitos esperavam?
Um mundo dominado por vampiros
A trama de The Blood of Dawnwalker se passa em 1347, durante os anos mais devastadores da Peste Negra. O cenário é o Vale Sangora, uma região fictícia dos Cárpatos onde o vampiro Brencis governa com mão de ferro. Sob seu domínio, os habitantes são obrigados a pagar o chamado blutzoll, um imposto de sangue cobrado em troca de proteção contra a doença que assola a região.
O protagonista é Coen, um jovem camponês cuja vida muda completamente após uma revolta fracassada contra o tirano. Depois de ver sua família ser capturada, ele acaba transformado em um Dawnwalker — uma criatura que vive entre dois mundos, humana durante o dia e vampira durante a noite.
A partir desse momento, Coen recebe uma missão clara: salvar sua família antes que seja tarde demais. No caminho, ele pode desafiar poderosos boiardos vampiros, formar alianças com diferentes facções e tomar decisões capazes de alterar o destino de toda a região. A forte presença de intrigas políticas, disputas de poder e escolhas morais inevitavelmente remete ao que tornou The Witcher III tão marcante.
O sistema de tempo que muda a experiência
O grande diferencial de The Blood of Dawnwalker é seu controverso sistema de tempo.
Toda a campanha acontece ao longo de 30 dias e 30 noites, mas o relógio não corre automaticamente. O tempo avança apenas quando o jogador realiza ações significativas, como concluir missões importantes, treinar habilidades ou participar de determinados eventos.
Antes de cada decisão, o jogo informa exatamente quanto tempo será consumido, transformando cada escolha em um elemento estratégico. Isso significa que é impossível realizar tudo em uma única partida, incentivando múltiplas jornadas para descobrir novas histórias, alianças e consequências.
A Rebel Wolves já confirmou a existência de oito finais diferentes, e um detalhe chama atenção: falhar na missão principal não encerra a aventura. Caso o prazo termine antes do resgate da família, o jogo simplesmente conduz o jogador para um dos desfechos possíveis, permitindo que a exploração continue normalmente.
Humano de dia, predador à noite
A dualidade de Coen não é apenas narrativa — ela influencia diretamente a jogabilidade.
Durante o dia, o protagonista utiliza espadas, magia baseada em runas e um sistema de combate direcional que exige atenção ao posicionamento e à direção dos ataques e bloqueios.
Quando a noite chega, porém, tudo muda. Coen assume sua natureza vampírica, ganha acesso a habilidades sobrenaturais, pode escalar estruturas, atravessar ambientes de formas alternativas e utilizar ataques brutais com suas garras.
Em contrapartida, surge a necessidade de controlar a Fome de Sangue, um sistema que pode levar o personagem a perder o controle caso suas necessidades vampíricas sejam ignoradas. Essa mecânica adiciona uma camada extra de gerenciamento de recursos e cria situações imprevisíveis ao longo da campanha.
Os criadores de The Witcher III estão por trás do projeto
Grande parte das comparações com The Witcher não surgiu por acaso.
A Rebel Wolves foi fundada em 2022 por veteranos da CD Projekt RED. Entre eles está Konrad Tomaszkiewicz, diretor de The Witcher III e ex-diretor de design de Cyberpunk 2077.
O estúdio também conta com Mateusz Tomaszkiewicz, responsável pelo design de missões de The Witcher III, além de Jakub Szamałek, roteirista que trabalhou em diversas histórias da franquia, incluindo a aclamada expansão Blood and Wine.
A equipe ainda reúne nomes como Daniel Sadowski e Bartłomiej Gaweł, profissionais que ajudaram a definir a identidade visual e artística dos jogos da série The Witcher.
Diferentemente da CD Projekt RED, a Rebel Wolves optou por utilizar a Unreal Engine 5, buscando criar uma experiência moderna sem depender de tecnologia proprietária. Após quase cinco anos de desenvolvimento, o RPG chegou ao mercado para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Crítica positiva e sequência confirmada
O lançamento foi acompanhado por uma recepção bastante positiva.
Com média próxima dos 83 pontos no Metacritic, The Blood of Dawnwalker recebeu elogios por sua narrativa, pela liberdade oferecida ao jogador, pelas consequências das escolhas e pela forma como mistura elementos de RPG tradicional com mecânicas vampíricas.
Entre as críticas mais recorrentes estão algumas atividades repetitivas no mundo aberto e a forte semelhança estrutural com The Witcher III. Ainda assim, a maioria dos analistas considera que o jogo consegue construir uma identidade própria graças ao sistema de tempo e à dualidade do protagonista.
O sucesso comercial foi igualmente expressivo. O RPG ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas em apenas 48 horas, resultado que acelerou os planos da Rebel Wolves. O estúdio já confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.
Vale a pena para fãs de The Witcher?
A resposta curta é sim.
The Blood of Dawnwalker compartilha diversos elementos que fizeram de The Witcher III um dos RPGs mais populares de todos os tempos: narrativa focada em escolhas, personagens complexos, conflitos políticos, fantasia sombria e missões com consequências significativas.
Ao mesmo tempo, o jogo evita ser apenas uma cópia da fórmula da CD Projekt RED. O sistema de 30 dias, a mecânica de transformação entre humano e vampiro e a estrutura mais compacta do mundo aberto ajudam a criar uma experiência com personalidade própria.
Para quem procura um RPG que capture parte da essência de The Witcher, mas apresente ideias novas e uma abordagem diferente da fantasia medieval, The Blood of Dawnwalker surge como uma das opções mais interessantes da atual geração.














