Antes de tudo, a experiência de quem viveu a história
Antes de mais nada, a opinião vem de alguém com autoridade de sobra. Bruce Nesmith, veterano que trabalhou por 17 anos na Bethesda, trouxe uma visão bastante realista sobre o futuro de The Elder Scrolls III: Morrowind. Segundo ele, embora o desejo dos fãs seja evidente, um Morrowind Remastered enfrenta obstáculos que vão muito além da vontade do público. Em entrevista à PressboxUK, o ex-desenvolvedor, que deixou a empresa em 2021 durante a produção de Starfield, explicou que fatores técnicos e de design tornam o projeto extremamente improvável.
Principalmente, o código-fonte pode não existir mais
Em primeiro lugar, Nesmith destacou um problema crítico: a possível perda do código-fonte original. Como o jogo foi lançado em 2002, portanto há mais de duas décadas, o armazenamento e a preservação de arquivos não seguiam os padrões atuais. Assim, mesmo que parte do código ainda exista, não há garantia de que ele seja utilizável hoje.
“O problema com Morrowind é que eu aposto que eles não têm mais o código-fonte original”, afirmou. “E mesmo que exista, será que ainda é possível compilá-lo?”
Em contrapartida, ele explicou que Oblivion ainda possuía código funcional, o que, consequentemente, permitiu adaptações e testes em motores mais modernos. Já Morrowind, por outro lado, exigiria um esforço técnico muito maior desde o ponto de partida.
Além disso, a jogabilidade não envelheceu bem
No entanto, os desafios não param na parte técnica. Segundo Nesmith, a jogabilidade de Morrowind pode afastar jogadores atuais. Embora exista um forte apego emocional ao título, ele acredita que a experiência prática não corresponde mais às expectativas modernas.
“Volte e jogue Morrowind hoje e me diga se é realmente o jogo que você quer jogar novamente”, provocou.
Nesse sentido, ele argumenta que a nostalgia costuma suavizar falhas. Porém, quando o jogador revisita um RPG de 20 anos atrás, frequentemente se depara com sistemas rígidos, mecânicas punitivas e pouca acessibilidade, o que, portanto, pode gerar frustração.
Mesmo Oblivion Remastered teve seus problemas
Ainda assim, alguns apontam Oblivion Remastered como exemplo de que seria possível atualizar Morrowind. Contudo, Nesmith discorda. Inclusive, ele assumiu parte da responsabilidade por decisões questionáveis do passado.
“Trabalhei em Oblivion. Sou responsável por alguns daqueles momentos constrangedores”, admitiu.
Dessa forma, ele reforça que, quanto mais antigo o jogo, maior é o risco de expor falhas que antes eram aceitáveis, mas que hoje soam ultrapassadas.
Por fim, reconstruir tudo do zero seria a única saída
Por fim, Nesmith acredita que a única alternativa viável seria reconstruir Morrowind completamente, usando o motor de Skyrim. Ainda assim, isso significaria um projeto de quatro anos ou mais, o que levanta uma pergunta inevitável: por que não criar algo novo?
Segundo ele, o caminho mais inteligente seria revisitar a região de Morrowind, mantendo elementos icônicos, porém com uma nova história e mecânicas modernas. Assim, seria possível respeitar o legado do clássico sem ficar preso a limitações que não resistiram ao tempo.

