Apenas 7 jogos físicos do PlayStation ultrapassaram 100 mil cópias vendidas nos EUA em 2026
Os números mais recentes do mercado mostram que a mídia física continua perdendo espaço de forma acelerada. De acordo com dados divulgados por Mat Piscatella, analista da Circana, apenas sete jogos físicos do ecossistema PlayStation conseguiram superar a marca de 100 mil cópias vendidas nos Estados Unidos em 2026. O levantamento considera todos os jogos lançados para plataformas PlayStation, independentemente da publisher responsável.
Além disso, na semana encerrada em 11 de julho de 2026, somente dois títulos da plataforma conseguiram ultrapassar a marca de 10 mil unidades físicas vendidas no mercado norte-americano. Os dados reforçam uma tendência observada há vários anos: cada vez mais jogadores estão migrando para o formato digital.
Dados abrangem todo o catálogo PlayStation
Piscatella compartilhou as informações por meio de sua conta no Bluesky e esclareceu que o levantamento inclui “PlayStation completo. Todos os jogos, todas as publishers e todas as plataformas PlayStation”. Em outras palavras, trata-se de um panorama abrangente da performance da mídia física dentro do ecossistema da Sony nos Estados Unidos.
O relatório surge em um momento particularmente importante para a indústria. Afinal, a Sony já confirmou que encerrará a produção de jogos em mídia física em 2028. A decisão provocou reações negativas entre colecionadores e defensores do formato tradicional, que argumentam sobre preservação, propriedade dos jogos e acesso a versões físicas.
Resident Evil Requiem e EA Sports FC 26 estão entre os destaques
Embora Piscatella não tenha divulgado a lista completa dos sete jogos que ultrapassaram 100 mil unidades físicas, estimativas da Alinea Analytics apontam que títulos como EA Sports FC 26, Resident Evil Requiem e 007 First Light estão entre os destaques do ano.
No caso de Resident Evil Requiem, os números chamam atenção. Das 3,5 milhões de cópias vendidas globalmente, cerca de 27,8% vieram de versões físicas. O resultado demonstra que ainda existe demanda pelo formato, especialmente em franquias de grande apelo comercial. Entretanto, mesmo esses números expressivos não foram suficientes para alterar a tendência predominante do mercado.
Mercado físico encolheu drasticamente
Para compreender a dimensão dessa transformação, basta analisar a evolução dos gastos dos consumidores norte-americanos com jogos físicos. Segundo um gráfico divulgado por Piscatella, o valor movimentado pelo setor caiu de US$ 11,5 bilhões em 2009 para apenas US$ 1,6 bilhão em 2026.
Embora US$ 1,6 bilhão ainda represente uma quantia significativa, a diferença em relação ao passado evidencia uma retração histórica. Consequentemente, os custos de fabricação, distribuição e logística passaram a pesar mais nas contas das empresas, tornando o modelo físico cada vez menos atraente do ponto de vista comercial.
O próprio analista já havia feito uma previsão preocupante para os entusiastas dos discos físicos. Segundo ele, mais da metade dos consoles Xbox Series vendidos nos Estados Unidos não possui leitor de mídia física, enquanto mais de um quarto dos PS5 comercializados no país também dispensam o drive de discos. Diante desse cenário, Piscatella acredita que o software físico pode ter menos de uma década de vida pela frente.
Redes sociais não refletem necessariamente as vendas
Outro ponto destacado pelo analista envolve a diferença entre o engajamento nas redes sociais e o comportamento real de consumo. O trailer de Marvel’s Wolverine, por exemplo, acumulou milhares de comentários de usuários criticando o fim da mídia física. No entanto, os números de vendas mostram uma realidade bastante diferente.
Para Piscatella, manifestações online têm seu valor, mas dificilmente influenciam decisões corporativas sem respaldo comercial. Em suas palavras, comentar nas redes é fácil; o que realmente importa para a indústria é o volume de compras realizado pelos consumidores.
Dessa forma, a mensagem enviada pelos dados é clara. Apesar da paixão de muitos jogadores pela mídia física, as vendas atuais indicam que o formato perdeu grande parte de sua relevância comercial. Enquanto a preferência pelo digital continua crescendo, empresas como a Sony encontram cada vez mais justificativas para acelerar a transição para um mercado predominantemente digital.















