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Assassin’s Creed II quase contou toda a história de Ezio, mas Ubisoft percebeu que seria impossível

Assassin’s Creed II
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Assassin’s Creed II quase foi um jogo completamente diferente — e muito mais ambicioso. Segundo Jean Guesdon, veterano da franquia e atual chefe de conteúdo da série na Ubisoft, o plano original para o segundo capítulo era contar praticamente toda a trajetória de Ezio Auditore, desde seu nascimento até o momento em que ele se tornaria mentor da Ordem dos Assassinos.

O problema é que esse arco narrativo era grande demais para caber adequadamente em apenas um jogo. Na prática, Ezio só alcançaria esse ponto de sua jornada perto do final de Assassin’s Creed: Brotherhood, segundo Guesdon.

A revelação foi feita em entrevista à revista Retro Gamer #287. “Quando projetamos Assassin’s Creed II, o arco narrativo de Ezio ia aproximadamente do seu nascimento até ele se tornar o mentor”, explicou o veterano.

A ideia, portanto, era extremamente ambiciosa: condensar em um único título uma história que posteriormente acabou se estendendo por três jogos, transformando Ezio em um dos personagens mais importantes e queridos da franquia.

Um projeto ambicioso demais para dois anos

Apesar da ideia inicial, a equipe rapidamente percebeu que seria praticamente impossível entregar toda a jornada de Ezio com o nível de qualidade desejado dentro do ciclo de desenvolvimento de dois anos.

Na prática, isso era ambicioso demais para ser entregue adequadamente em um jogo desenvolvido em dois anos”, explicou Guesdon.

Diante dessa limitação, a Ubisoft decidiu expandir a história para outros títulos. A mudança acabou permitindo que a equipe desenvolvesse o personagem de maneira muito mais aprofundada, explorando diferentes fases de sua vida e dando mais espaço para suas relações, conflitos e evolução dentro da Ordem dos Assassinos.

Mas essas ideias originais nos permitiram desenvolver a história dele ao longo dos dois jogos seguintes”, completou o executivo.

Assim, a jornada de Ezio continuou em Assassin’s Creed: Brotherhood e foi encerrada em Assassin’s Creed: Revelations, lançado um ano depois. O que inicialmente deveria ser um único grande arco narrativo acabou, portanto, transformando-se em uma trilogia considerada até hoje uma das fases mais marcantes da franquia.

Além de ampliar a história do protagonista, essa estrutura também ajudou a estabelecer um novo modelo de produção para a série. Nos anos seguintes, a Ubisoft passou a apostar cada vez mais em lançamentos frequentes, com diferentes equipes trabalhando simultaneamente em novos capítulos.

Como a Ubisoft acelerou o desenvolvimento da franquia

Com o crescimento de Assassin’s Creed, tornou-se necessário distribuir o desenvolvimento entre diversos estúdios da Ubisoft. Dessa maneira, enquanto uma equipe trabalhava em um jogo, outras já poderiam avançar paralelamente em projetos futuros.

Paul Fu, outro veterano da franquia e mais recentemente diretor criativo de Assassin’s Creed: Black Flag Resynced, explicou como esse modelo funcionava.

Os jogos não são desenvolvidos um após o outro. Eles são sempre escalonados para que possamos trabalhar em paralelo”, afirmou.

Esse sistema permitiu que a Ubisoft aumentasse significativamente a frequência de lançamento dos jogos. Entretanto, a estratégia não significava simplesmente dividir o trabalho entre estúdios diferentes. Inicialmente, a empresa manteve o controle criativo e de produção concentrado em Montreal, onde estava a maior experiência com a franquia.

Guesdon explicou que, ao mesmo tempo, outros estúdios recebiam responsabilidades progressivamente maiores para desenvolver suas próprias capacidades.

A princípio, garantimos manter o controle criativo e de produção em Montreal, onde estava a experiência, mas dando mandatos a outros estúdios da Ubisoft para fazê-los crescer”, disse.

Segundo o executivo, esse processo fez com que a equipe responsável por Assassin’s Creed aumentasse não apenas em tamanho, mas também em experiência. Com o passar dos anos, isso permitiu que projetos cada vez mais ambiciosos fossem distribuídos entre diferentes estúdios.

É assim que, ano após ano, o grupo de desenvolvedores de AC cresceu em tamanho, mas também em experiência, permitindo que enviássemos mandatos cada vez mais ambiciosos para estúdios remotos”, concluiu Guesdon.

Curiosamente, uma decisão tomada inicialmente por necessidade acabou beneficiando diretamente a história de Ezio. Se a Ubisoft tivesse seguido o plano original, sua trajetória poderia ter sido condensada em um único jogo. Em vez disso, a mudança permitiu que o personagem fosse desenvolvido ao longo de uma trilogia, acompanhando diferentes momentos de sua vida e consolidando Ezio como um dos grandes protagonistas da história de Assassin’s Creed.

 

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