Microsoft tenta salvar os discos físicos no Xbox, mas Ubisoft e Square Enix ficam de fora
A Microsoft começou recentemente a testar um dos recursos mais interessantes do Xbox para quem ainda mantém uma coleção de jogos físicos. Trata-se do Disc to Digital, sistema que permite transformar temporariamente um disco compatível em uma licença digital vinculada à conta do jogador. No entanto, os primeiros testes revelaram uma limitação importante: jogos publicados pela Ubisoft e pela Square Enix aparentemente estão fora do programa.
A situação foi identificada por membros do Xbox Insider, que começaram a receber acesso ao recurso em 31 de agosto. Ao tentar resgatar a licença digital de determinados jogos dessas editoras, o console exibe a mensagem “Licença digital indisponível”, acompanhada do aviso de que aquele título “não participa do licenciamento digital”.
Entre os jogos testados pelos usuários estão Far Cry 4, Assassin’s Creed Unity, Assassin’s Creed Syndicate e Assassin’s Creed Odyssey, publicados pela Ubisoft. Do lado da Square Enix, foram citados Just Cause 3, Just Cause 4, Rise of the Tomb Raider e Shadow of the Tomb Raider.
Segundo os relatos, todos esses títulos apresentaram a mesma mensagem de incompatibilidade. Ainda assim, isso não significa necessariamente que Ubisoft e Square Enix tenham rejeitado definitivamente o Disc to Digital. Até o momento, nenhuma das duas empresas comentou oficialmente o assunto, enquanto a própria Microsoft ressalta que a compatibilidade pode variar de acordo com questões técnicas, de licenciamento e de publicação.
Como funciona o Disc to Digital do Xbox?
Anunciado oficialmente pela Microsoft em 26 de agosto, o Disc to Digital foi desenvolvido para permitir que os jogadores aproveitem determinados benefícios do ecossistema digital do Xbox sem precisar abandonar suas coleções de jogos físicos.
Em um console Xbox compatível, basta inserir o disco para verificar se aquele título é elegível. Caso seja, o jogador pode reivindicar uma licença digital de acesso limitado, permitindo que o jogo aproveite recursos normalmente associados às versões digitais, como Xbox Cloud Gaming e Xbox Play Anywhere, desde que o próprio título ofereça suporte a essas funcionalidades.
Entretanto, existe um detalhe fundamental: o disco continua funcionando como prova de propriedade do jogo. De acordo com as regras da Microsoft, a licença digital permanece vinculada à posse da mídia física, e o sistema pode exigir que o usuário insira novamente o disco para validar o acesso.
Consequentemente, caso o jogador deixe de possuir a cópia física utilizada no processo, o acesso digital correspondente poderá ser suspenso ou revogado.
Na prática, portanto, o Disc to Digital não significa entregar o disco e receber uma cópia digital permanente. A proposta é fazer com que uma mídia física compatível também possa funcionar como uma espécie de chave de acesso aos recursos digitais do ecossistema Xbox.
A Microsoft afirma que a maioria dos jogos em disco de Xbox One e Xbox Series X é compatível e que o catálogo continuará crescendo. Ainda assim, alguns títulos ficarão de fora devido a questões relacionadas a direitos, publicação ou limitações técnicas.
Além de Ubisoft e Square Enix, relatos da comunidade também mencionam possíveis restrições envolvendo jogos publicados pela Sega e Bandai Namco, assim como títulos específicos de outras empresas. Porém, esses relatos isolados não são suficientes para afirmar que essas editoras tenham decidido não participar do programa.
Ausência de grandes editoras ganha importância
A ausência de determinados jogos se torna ainda mais relevante em um momento no qual a indústria discute cada vez mais o futuro da mídia física.
Em julho, a Sony anunciou que encerrará a produção de discos para novos jogos lançados nos consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. A mudança não afetará títulos lançados anteriormente, mas novos jogos passarão a ser distribuídos exclusivamente em formato digital.
A estratégia da Microsoft segue uma direção diferente. Em vez de simplesmente substituir os discos por versões digitais, a empresa pretende permitir que as coleções físicas dos jogadores continuem tendo utilidade enquanto o ecossistema Xbox se expande para consoles, PCs, dispositivos portáteis e jogos via nuvem.
Por isso, a participação das editoras será fundamental para determinar o alcance do Disc to Digital. Afinal, um sistema capaz de funcionar com centenas ou milhares de jogos pode perder parte de seu apelo caso algumas das principais franquias da indústria permaneçam de fora.
Por enquanto, o recurso continua em fase de testes com os membros do Xbox Insider, e a Microsoft ainda não anunciou uma data definitiva para disponibilizá-lo ao público geral. Dessa forma, a lista de jogos compatíveis pode sofrer mudanças significativas antes do lançamento oficial.
Isso significa que a ausência de títulos da Ubisoft e da Square Enix neste primeiro momento não necessariamente representa uma decisão definitiva. Até que a Microsoft ou as próprias editoras forneçam mais informações, resta acompanhar como o catálogo do Disc to Digital evoluirá durante o período de testes.














