Baldur’s Gate 4 sem a Larian seria um fracasso, afirma veterano da indústria
O futuro de Baldur’s Gate 4 continua cercado de dúvidas, e uma nova revelação mostra que a Hasbro enfrenta desafios consideráveis para dar continuidade à franquia após a saída da Larian Studios. James Ohlen, um dos principais responsáveis por Baldur’s Gate 2 durante sua passagem pela BioWare, revelou que foi convidado pela empresa para participar do desenvolvimento de uma possível sequência, mas recusou a proposta por acreditar que o projeto teria enormes dificuldades sem a equipe que criou Baldur’s Gate 3.
A informação foi compartilhada em entrevista ao PC Gamer. Segundo Ohlen, a Hasbro entrou em contato logo após a Larian confirmar que não trabalharia em um novo Baldur’s Gate, optando por concentrar seus esforços em projetos próprios, incluindo o retorno da série Divinity. Apesar de seu histórico com a franquia, o veterano afirmou que não tinha interesse em assumir a responsabilidade de suceder um dos RPGs mais aclamados da história recente.
Para ele, o nível de qualidade alcançado por Baldur’s Gate 3 tornou a missão extremamente arriscada para qualquer estúdio.
“Eu não gostaria de competir com aquilo. Fazer Exodus já é difícil o suficiente, mas ter que competir com Baldur’s Gate 3? Isso seria uma loucura.”
O enorme desafio técnico deixado pela Larian
Além da pressão criativa, Ohlen destacou que existe um obstáculo técnico igualmente complexo. Baldur’s Gate 3 foi construído utilizando a engine proprietária da Larian, uma tecnologia que vem sendo refinada há muitos anos e que recebeu sucessivas melhorias desde a época de Divinity: Original Sin.
De acordo com o desenvolvedor, recriar uma infraestrutura semelhante exigiria um investimento gigantesco de tempo, recursos e experiência. Em sua avaliação, seriam necessários pelo menos cinco anos de trabalho intenso apenas para desenvolver ferramentas capazes de oferecer o mesmo nível de flexibilidade, interatividade e profundidade apresentado no RPG lançado em 2023.
Ohlen também comentou que chegou a considerar a possibilidade de a Larian licenciar sua tecnologia para outro estúdio assumir a franquia. No entanto, essa alternativa aparentemente nunca foi considerada. Para ele, o grande diferencial não está apenas na engine, mas também na experiência acumulada pela equipe liderada por Swen Vincke ao longo de décadas.
Segundo o veterano, a combinação entre tecnologia, conhecimento interno e talento da equipe tornou a Larian praticamente única quando o assunto é criar RPGs dessa escala.
Hasbro ainda procura o futuro de Baldur’s Gate
Mesmo diante dessas dificuldades, a Hasbro não demonstra intenção de deixar Baldur’s Gate adormecido. A empresa continua avaliando possibilidades para o futuro da franquia e segue investindo em projetos relacionados ao universo de Dungeons & Dragons.
Entretanto, a situação atual mostra que encontrar um sucessor para a Larian pode ser muito mais complicado do que parecia inicialmente. Com desenvolvedores históricos recusando participar da sequência e sem um estúdio oficialmente associado ao projeto, Baldur’s Gate 4 permanece sem direção definida.
Enquanto isso, rumores indicam que outros projetos ligados à série continuam em andamento, incluindo um possível remake de Baldur’s Gate 2. Ainda assim, não existe qualquer confirmação oficial sobre quem assumirá a responsabilidade de produzir o próximo capítulo da saga, nem informações sobre plataformas ou uma possível janela de lançamento.
Por enquanto, o destino de Baldur’s Gate 4 segue em aberto, mas as declarações de James Ohlen reforçam uma percepção cada vez mais comum entre fãs e profissionais da indústria: repetir o sucesso alcançado pela Larian Studios pode ser uma tarefa muito mais difícil do que simplesmente dar sequência à franquia.















