Criador de Devil May Cry detona Zelda: The Wind Waker: “Para mim, é uma merda”
The Legend of Zelda: The Wind Waker pode ser considerado um dos grandes clássicos do GameCube, mas definitivamente não conquistou Hideki Kamiya. O diretor de jogos como Devil May Cry, Bayonetta, Resident Evil 2 e Okami voltou a comentar sobre o clássico da Nintendo e, mais uma vez, deixou claro que sua opinião sobre o jogo está longe de ser positiva.
Em uma publicação feita no X nesta segunda-feira (14), Kamiya respondeu a um jogador que relembrava com carinho a época em que jogava The Wind Waker. A resposta do desenvolvedor, porém, foi praticamente o oposto da nostalgia compartilhada pelo fã.
“Para mim, aquilo é uma merda… é só ficar no Grande Mar balançando inutilmente a batuta para mudar a direção do vento e procurando baús de tesouro…”
Hideki Kamiya mantém suas críticas a The Wind Waker
それは俺的に大海原で無駄にタクト振って風向き変えて宝箱さがすだけのクソ… https://t.co/qmYr2yvXfT
— 神谷英樹🍀 Hideki Kamiya🍀 (@HidekiKamiya_X) September 14, 2026
Embora a declaração tenha chamado atenção pelo tom extremamente direto, a opinião de Kamiya sobre The Wind Waker não é exatamente uma novidade. O desenvolvedor já havia criticado publicamente o jogo há mais de uma década.
Em 9 de setembro de 2013, durante uma série de respostas no então Twitter, Kamiya afirmou que a missão envolvendo a coleta dos fragmentos da Triforce era ruim e também reclamou da quantidade reduzida de dungeons presentes na aventura.
Na ocasião, outro usuário descreveu as dungeons do jogo como poucas, simples, repetitivas e pouco interessantes. Kamiya respondeu apenas que concordava com a avaliação.
Isso mostra que suas críticas ao título são bastante consistentes ao longo dos anos. Ao contrário do que poderia parecer inicialmente, o problema não parece estar relacionado ao controverso estilo visual cartunesco de The Wind Waker, que gerou discussões entre os fãs quando o jogo foi revelado para o GameCube.
As principais reclamações de Kamiya estão concentradas na estrutura da aventura, na navegação pelo Grande Mar e na quantidade de dungeons, além de determinados momentos de exploração considerados excessivamente lentos.
Curiosamente, algumas dessas questões acabaram sendo justamente os pontos que a própria Nintendo decidiu modificar posteriormente.
Nintendo corrigiu alguns dos problemas em The Wind Waker HD
Quando The Legend of Zelda: The Wind Waker HD chegou ao Wii U em 2013, a Nintendo implementou uma série de mudanças para tornar a aventura mais dinâmica e reduzir alguns dos trechos considerados cansativos.
Uma das principais novidades foi a Swift Sail, uma vela especial que permitia a Link navegar pelo Grande Mar em uma velocidade muito maior, sem a necessidade de ficar alterando constantemente a direção do vento com a Batuta do Vento.
Em uma entrevista da série Iwata Asks, o designer Daiki Iwamoto explicou que a velocidade da embarcação poderia ser praticamente duplicada na versão remasterizada.
A busca pelos fragmentos da Triforce também recebeu alterações importantes. Na versão original para GameCube, Link precisava encontrar oito mapas da Triforce, levá-los até Tingle e ainda pagar para que fossem decifrados antes de finalmente conseguir os fragmentos.
Na edição HD, apenas três mapas continuaram sendo necessários. Os outros cinco foram substituídos diretamente pelos respectivos fragmentos da Triforce, reduzindo consideravelmente o tempo gasto nessa etapa da aventura.
A própria Nintendo destacava na época a navegação mais rápida e uma coleta de itens aprimorada na segunda metade do jogo como algumas das principais novidades de The Wind Waker HD.
É claro que isso não significa que a Nintendo tenha concordado com a avaliação extremamente negativa de Kamiya. Ainda assim, é curioso perceber que algumas das partes criticadas pelo diretor também foram identificadas pela própria empresa como elementos que poderiam ser melhorados.
The Wind Waker continua sendo um dos Zelda mais aclamados
Apesar da opinião de Kamiya, The Legend of Zelda: The Wind Waker está muito longe de ser considerado um fracasso. Pelo contrário: o jogo permanece como um dos títulos mais bem avaliados da história da franquia.
A versão original lançada para GameCube em 2003 possui 96 pontos no Metacritic, com as 80 análises registradas na plataforma classificadas como positivas. A avaliação dos usuários também permanece extremamente alta, com média de 9,0.
Mais de duas décadas após seu lançamento, o clássico continua conquistando novos jogadores. Em agosto de 2026, uma publicação no subreddit de Zelda feita por um jogador que estava experimentando The Wind Waker pela primeira vez ultrapassou 900 votos positivos.
O jogador destacou principalmente a qualidade dos visuais, das animações, dos puzzles e da exploração, mostrando que muitos dos elementos que ajudaram a definir o título continuam funcionando mesmo tantos anos depois.
Atualmente, também ficou mais fácil acessar a versão original. The Wind Waker faz parte da biblioteca Nintendo GameCube – Nintendo Classics do Nintendo Switch 2, disponível para assinantes do Nintendo Switch Online + Pacote adicional.
Kamiya continua trabalhando em novos projetos
Enquanto The Wind Waker continua sendo celebrado por grande parte dos fãs, Hideki Kamiya segue trabalhando em novos projetos.
Atualmente, o desenvolvedor lidera o estúdio CLOVERS, onde ocupa os cargos de chefe do estúdio e diretor-chefe de game design. Ao longo da carreira, Kamiya esteve envolvido na direção de alguns dos jogos mais importantes da indústria, incluindo Resident Evil 2, Devil May Cry, Viewtiful Joe, Okami, Bayonetta e The Wonderful 101.
Seu próximo grande projeto é justamente a aguardada sequência de Okami, desenvolvida novamente em parceria com a Capcom.
Com um currículo desse nível, Kamiya certamente acumulou uma visão bastante particular sobre design e estrutura de jogos. No caso de The Wind Waker, porém, parece que nem mais de duas décadas foram suficientes para fazê-lo mudar de ideia.














