Dispatch explode em vendas e revela trajetória improvável até o sucesso
Dispatch chegou ao mercado cercado de expectativas e, ao mesmo tempo, dúvidas. Ainda assim, o jogo rapidamente conquistou seu espaço e, dessa forma, atingiu a impressionante marca de quatro milhões de cópias vendidas. Além disso, esse desempenho chama ainda mais atenção por se tratar de um título narrativo de super-heróis e, sobretudo, por ser o projeto de estreia da AdHoc Studio.
Um sucesso que quase não aconteceu
Apesar dos números expressivos, a história por trás de Dispatch é marcada por incertezas. Desde o início, os próprios criadores admitem que o jogo esteve muito próximo de nunca existir. Durante anos, o estúdio enfrentou portas fechadas e, ao mesmo tempo, investidores desconfiados, além de uma constante luta para manter as finanças em ordem.
Além disso, a falta de confiança do mercado em jogos altamente narrativos dificultou ainda mais o processo. Por outro lado, muitos publishers simplesmente não acreditavam no potencial comercial do projeto e, consequentemente, isso colocou a equipe em uma posição delicada desde o começo.
Sete anos de persistência
Nesse contexto, Nick Herman, diretor criativo e cofundador, descreve esse período como extremamente desgastante. Segundo ele, foram sete anos participando de conferências e reuniões e, assim, sempre tentando garantir recursos suficientes para manter o estúdio funcionando por mais alguns meses.
Ao mesmo tempo, o CEO Michael Choung destacou, de forma bem-humorada, os inúmeros riscos enfrentados ao longo da jornada. Ainda assim, por trás da ironia, fica evidente o nível de pressão vivido pela equipe, que precisou lidar constantemente com ameaças ao futuro do projeto.
Além disso, outro ponto que gerava desconfiança era o perfil dos fundadores. Como o estúdio era formado por roteiristas e diretores, ele não se encaixava no padrão esperado pela indústria de games e, dessa maneira, levantava questionamentos frequentes de possíveis investidores.
Nem os games, nem Hollywood acreditaram
Curiosamente, a busca por financiamento em Hollywood também não trouxe os resultados esperados. Embora o perfil criativo da equipe fosse mais alinhado com o cinema, ainda assim o setor não demonstrou interesse significativo.
Por outro lado, muitos profissionais da indústria cinematográfica não compreendiam o mercado de jogos. E, quando alguém entendia ambos os lados, ainda assim a resposta era negativa, reforçando a ideia de que jogos narrativos não teriam grande apelo comercial.
Além disso, elementos como a estrutura episódica e o tom cômico do projeto foram vistos como riscos. Dessa forma, em alguns momentos, a pressão foi tão grande que o estúdio cogitou alterar aspectos centrais do jogo. No entanto, apesar disso, a equipe decidiu manter sua visão original.
O papel decisivo da Critical Role
Entretanto, o verdadeiro ponto de virada aconteceu com a entrada da Critical Role no projeto. O grupo, conhecido mundialmente por seu trabalho com RPG, acreditou no potencial de Dispatch e, assim, ofereceu o suporte financeiro necessário.
Diferentemente dos publishers tradicionais, a parceria garantiu liberdade criativa total ao estúdio. Por outro lado, essa escolha também trouxe desafios, especialmente na área de publicação, já que não havia uma estrutura dedicada para isso e, consequentemente, o processo se tornou mais trabalhoso.
Criatividade até nos bastidores
Por fim, vale destacar um detalhe curioso: os animadores de Dispatch foram contratados após o estúdio se impressionar com o trabalho deles em um simples comercial de suco. Dessa maneira, esse tipo de decisão reforça o espírito criativo e pouco convencional que marcou toda a produção.
Assim, entre riscos, rejeições e escolhas ousadas, Dispatch não apenas superou as expectativas, como também, consequentemente, se consolidou como um dos grandes sucessos recentes da indústria.