Ex-chefe do PlayStation faz alerta aos estúdios: é preciso conquistar quem não liga para GTA 6
20 de julho de 2026
Shawn Layden, ex-presidente da PlayStation Worldwide Studios, acredita que GTA 6 será um fenômeno capaz de impactar toda a indústria dos games. No entanto, segundo ele, o aguardado lançamento da Rockstar Games não resolve um problema muito maior: a falta de diversidade criativa que, na visão do executivo, limita o crescimento do setor e dificulta a conquista de novos públicos.
GTA 6 será gigantesco, mas não é a resposta para tudo
Durante uma entrevista ao Kotaku, Layden afirmou que o mercado de games está cada vez mais concentrado em fórmulas já estabelecidas. Embora reconheça a força de franquias bilionárias, ele argumenta que a indústria corre o risco de ficar presa aos mesmos estilos de jogos e aos mesmos consumidores.
Para ilustrar seu ponto, o ex-chefe do PlayStation citou alguns dos temas mais recorrentes nos grandes lançamentos atuais, como jogos de apocalipse zumbi, aventuras medievais com dragões e RPGs de fantasia, além de títulos militares e de ficção científica. Na visão dele, a variedade de experiências disponíveis está diminuindo, o que reduz as oportunidades de atrair pessoas que ainda não fazem parte da comunidade gamer.
Ao comentar especificamente sobre GTA 6, Layden não escondeu a expectativa em torno do projeto. Segundo ele, o novo título da Rockstar será como um “asteroide” entrando na atmosfera da indústria, gerando um impacto gigantesco em vendas, audiência e relevância cultural.
Entretanto, ele destacou que existe uma parcela enorme da população mundial que simplesmente não demonstra interesse pelo jogo. Por isso, apostar exclusivamente em sucessos gigantescos não seria suficiente para expandir o alcance dos videogames.
A indústria cresce, mas continua falando com as mesmas pessoas
Outro ponto levantado por Layden envolve o contraste entre o tamanho financeiro do setor e sua influência cultural. De acordo com ele, a indústria dos games movimenta entre US$ 220 bilhões e US$ 250 bilhões por ano, números que superam diversos segmentos do entretenimento.
Ainda assim, o executivo argumenta que os videogames não possuem o mesmo impacto social que outras formas de mídia, como a música. Enquanto praticamente todas as pessoas têm uma música favorita, independentemente de idade ou perfil, os jogos ainda alcançam um grupo relativamente restrito da população.
Por causa disso, Layden acredita que o mercado tem aumentado sua receita principalmente ao extrair mais valor dos consumidores que já jogam regularmente, em vez de conquistar novos públicos. Em outras palavras, empresas continuam vendendo para os mesmos jogadores, sem ampliar significativamente a base de consumidores.
Além disso, ele ressaltou que quem não se interessa por franquias como Call of Duty, GTA ou Gran Turismo dificilmente mudará de opinião apenas porque novos títulos semelhantes foram lançados.
Mais criadores, mais culturas e mais ideias
Para mudar esse cenário, Layden defende uma expansão do ecossistema global de desenvolvimento de jogos. Segundo ele, a indústria precisa abrir espaço para criadores de diferentes regiões do mundo, com experiências culturais variadas e perspectivas únicas.
O ex-executivo afirmou que gostaria de ver mais projetos surgindo em países menos tradicionais dentro da indústria, como Uruguai, Bulgária e diversas outras regiões que raramente recebem destaque no mercado global. Dessa forma, novos estilos, narrativas e mecânicas poderiam surgir, ampliando o alcance dos videogames para públicos que atualmente não se sentem representados.
Curiosamente, a declaração possui um tom irônico. Afinal, Layden liderou a Sony durante um período em que os estúdios da PlayStation consolidaram uma identidade fortemente associada aos jogos cinematográficos de ação em terceira pessoa, fórmula que ainda domina boa parte do catálogo da empresa.
Além disso, decisões como o encerramento do Japan Studio — responsável por experiências mais criativas e experimentais — marcaram uma mudança significativa na estratégia da companhia. Posteriormente, durante as gestões de Jim Ryan e Herman Hulst, a Sony aprofundou sua aposta em grandes produções e iniciativas focadas em jogos como serviço.
Ainda assim, para Layden, o futuro da indústria depende justamente da capacidade de romper padrões e criar experiências capazes de alcançar pessoas que hoje não se importam nem mesmo com um fenômeno do tamanho de GTA 6.
Normally these kind of rumours are ignored, especially with such little noise coming from Sony. However, Thong correctly predicted the
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