Exclusivos não são o centro do mercado, diz analista
Mat Piscatella, chefe da Circana, voltou a defender uma visão que gera debate constante dentro da indústria de games. Nesse sentido, ele afirma que jogos exclusivos têm importância, mas, ainda assim, não ocupam o papel central que muitos atribuem a eles. Além disso, a declaração surgiu em uma entrevista ao The Game Business, conduzida por Christopher Dring, com foco justamente na discussão sobre o peso dos exclusivos no mercado de consoles.
Piscatella, que é uma das principais referências em dados de vendas no setor, reforçou que suas análises se baseiam em métricas reais de consumo. Portanto, a Circana monitora o desempenho comercial da indústria nos Estados Unidos, o que, consequentemente, dá ao executivo uma visão ampla sobre o comportamento dos jogadores e o impacto das estratégias das empresas.
Exclusivos importam, mas não definem o mercado
Durante a entrevista, Piscatella foi direto ao ponto e, ao mesmo tempo, procurou contextualizar sua afirmação. Assim, ele explicou que a influência dos exclusivos costuma ser exagerada.
“Exclusivos importam, mas não importam tanto quanto muita gente diz. Tenho falado isso há um tempo e às vezes sou vaiado por causa disso, mas é verdade. Importa para algumas pessoas e não importa para outras.”
Dessa forma, a fala reforça a ideia de que o impacto dos exclusivos varia de público para público e, portanto, não representa um fator decisivo universal na escolha de um console.
Multiplataforma pesa mais do que exclusividade
Para sustentar seu argumento, o analista citou o caso de EA Sports College Football, um jogo multiplataforma que, inclusive, teve forte impacto na venda de hardware nos últimos anos. Ou seja, o exemplo mostra que não é necessário um exclusivo para impulsionar a compra de consoles.
Além disso, nesse cenário, fatores como marketing, posicionamento de marca e percepção do público acabam tendo mais peso do que a exclusividade de um título específico. Em outras palavras, o comportamento do consumidor vai além do catálogo fechado de cada plataforma.
Ecossistema, amigos e biblioteca são decisivos
Ainda assim, Piscatella destacou que a decisão de compra de um console está mais ligada ao ecossistema do que aos exclusivos em si. Por exemplo, elementos como onde estão os amigos do jogador, a construção de biblioteca ao longo do tempo e a experiência geral da plataforma influenciam diretamente o comportamento do consumidor.
Ao mesmo tempo, ele reconhece que jogos como The Last of Us já tiveram impacto direto nas vendas de hardware. No entanto, ele trata esses casos como exceções dentro de um panorama mais amplo e consistente.
PC, live service e novos hábitos de consumo
Por outro lado, Piscatella também comentou a estratégia da Sony de levar jogos do PS5 ao PC após um período de exclusividade. Segundo ele, essa mudança, até o momento, não indica queda no desempenho do console nem enfraquecimento do modelo tradicional.
Além disso, para reforçar sua análise, ele citou o peso de jogos como Fortnite dentro do ecossistema PlayStation. Nesse sentido, o dado ajuda a contextualizar como o consumo real se comporta hoje.
“Nós tendemos a nos aprofundar demais nesses assuntos, quando mais de 60% das pessoas que ligaram seus PlayStations no ano passado jogaram Fortnite pelo menos uma vez, e não há nenhum jogo exclusivo entre os 20 jogos mais populares segundo essa métrica.”
Portanto, o recado do analista é claro: enquanto o debate sobre exclusivos continua forte nas redes e comunidades, o comportamento real dos jogadores aponta para experiências multiplataforma, serviços e jogos gratuitos como principais forças do mercado.