Insomniac explica ausência dos X-Men em Wolverine: “Não queríamos um lugar seguro para os mutantes”
Marvel’s Wolverine, aguardado exclusivo da Insomniac Games para PS5, aposta em uma escolha narrativa que pode surpreender muitos fãs: os X-Men não existem neste universo. A ausência do grupo mais famoso dos mutantes não é uma limitação, mas uma decisão deliberada que ajuda a definir a identidade da história.
Em entrevista ao IGN, o diretor narrativo Walt Williams explicou que a equipe decidiu explorar uma fase muito anterior da trajetória de Logan. Em vez de colocar o personagem ao lado dos X-Men, o jogo apresenta a Equipe X, um grupo de operações secretas formado na década de 1970 e composto por mutantes treinados para missões de alto risco, incluindo Mística e Dentes de Sabre.
Segundo Williams, a escolha permite que a Insomniac volte às origens de Wolverine antes das grandes equipes e alianças que marcaram sua trajetória nos quadrinhos ao longo de mais de cinco décadas.
“Equipe X é canônica. É o primeiro time de Logan na sua história. Era uma equipe de operações secretas dos anos 70, formada por mutantes especializados em missões de extermínio.”
O diretor explicou ainda que, ao desenvolver a história, a equipe queria retornar ao início da jornada de Wolverine e explorar uma fase em que ele ainda estava distante das grandes afiliações que posteriormente definiriam sua vida.
A ausência dos X-Men está ligada ao medo e ao sentimento de não pertencimento
A decisão de remover os X-Men da narrativa, porém, vai muito além da cronologia de Logan. Para Williams, a existência de uma equipe tão estabelecida mudaria completamente a forma como os mutantes são percebidos dentro desse universo.
Isso acontece porque os super-heróis já se tornaram figuras populares e amplamente aceitas pela sociedade. O próprio universo criado pela Insomniac para os jogos do Homem-Aranha mostra personagens com poderes sendo celebrados, homenageados e tratados como verdadeiros símbolos públicos.
Os mutantes, por outro lado, precisam ocupar uma posição completamente diferente.
“Super-heróis se tornaram tão mainstream neste momento na cultura pop […] especialmente com nossos próprios jogos do Homem-Aranha. Esses são personagens com superpoderes que boa parte do mundo aceitou, que são celebrados. Eles têm paradas; são honrados e tudo mais. Mas mutantes, no fundo, são forasteiros, mesmo dentro do universo Marvel.”
Essa diferença é fundamental para a abordagem de Marvel’s Wolverine. Sem os X-Men como uma espécie de comunidade estabelecida, os mutantes permanecem vulneráveis, perseguidos e obrigados a esconder aquilo que realmente são.
Williams explica que a equipe não queria criar “um lugar seguro para eles”. A intenção era justamente recuperar uma característica tradicional das histórias dos mutantes: a sensação constante de perigo e isolamento.
A existência dos X-Men, nesse contexto, poderia transmitir a ideia de que os mutantes possuem um espaço protegido e uma comunidade consolidada. Para a Insomniac, isso enfraqueceria a proposta de mostrar um mundo em que revelar a própria natureza pode ser assustador e trazer consequências graves.
Logan é o “forasteiro dos forasteiros”
Essa abordagem também explica por que Wolverine foi escolhido como o principal ponto de entrada para esse universo mutante.
Apesar de ser um mutante extremamente poderoso e experiente, Logan nunca foi alguém que se encaixou completamente em um grupo. Mesmo quando luta ao lado de outros personagens, ele costuma manter uma certa distância emocional e carregar conflitos relacionados ao próprio passado.
Williams descreve o personagem como o “forasteiro dos forasteiros”, justamente porque Logan não se sente verdadeiramente pertencente nem mesmo entre outros mutantes.
“Ele é o forasteiro dos forasteiros. Mesmo entre mutantes, este é um homem que não se sente em casa. Ele mantém as pessoas à distância.”
Para o diretor, essa característica faz de Logan o protagonista ideal para apresentar aos jogadores um mundo em que os mutantes não possuem um lugar seguro para chamar de lar.
A narrativa acompanha Wolverine enquanto ele viaja pelo mundo em uma missão para deter Bolivar Trask. Ao mesmo tempo, Logan precisa lidar com a incapacidade de recuperar completamente suas memórias e com uma raiva aparentemente incontrolável, conflitos que devem afetar diretamente sua relação com aliados e inimigos.
Dessa forma, a ausência dos X-Men não significa que a Insomniac esteja simplesmente ignorando uma das equipes mais importantes da Marvel. Pelo contrário: a decisão permite que Marvel’s Wolverine explore uma versão mais isolada e vulnerável dos mutantes, colocando Logan no centro de uma história sobre identidade, medo e pertencimento.
Marvel’s Wolverine chega em 15 de setembro, exclusivamente para PS5.














