O governo do Japão voltou a cobrar explicações dos Estados Unidos pelo uso de personagens e imagens de franquias populares como Pokémon, Naruto, Mario e Yu-Gi-Oh! em publicações oficiais com conteúdo político e militar. Segundo informações do jornal Mainichi Shimbun, o Ministério das Relações Exteriores japonês comunicou formalmente suas preocupações ao governo norte-americano em diversas ocasiões, incluindo contatos diplomáticos realizados em abril e junho por meio da Embaixada dos Estados Unidos em Tóquio.
A preocupação das autoridades japonesas vai além de possíveis violações de direitos autorais. O governo teme que a associação de personagens conhecidos por mensagens de amizade, superação e cooperação com campanhas militares, deportações ou discursos políticos possa prejudicar a imagem dessas franquias globalmente.
De acordo com a posição oficial apresentada pelo Japão, órgãos governamentais também devem obter autorização dos detentores dos direitos antes de utilizar obras protegidas por copyright. Em junho, a ministra Kimi Onoda reforçou que a obtenção de permissão dos proprietários das marcas e personagens deve ser considerada um princípio básico para qualquer utilização desse tipo. Ela também confirmou que esse entendimento já havia sido comunicado às autoridades norte-americanas pelos canais diplomáticos.
Trump caracterizado como Naruto reacendeu a polêmica
A controvérsia voltou aos holofotes em junho, quando Donald Trump compartilhou no Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial no qual aparecia caracterizado como Naruto Uzumaki. A publicação gerou forte repercussão entre fãs japoneses e impulsionou novamente a campanha Protect Japanese Manga, criada no Change.org para pressionar autoridades e empresas responsáveis pelas franquias envolvidas.
A iniciativa surgiu originalmente em março, após a divulgação de vídeos produzidos pela Casa Branca que misturavam cenas de operações militares dos Estados Unidos contra o Irã com imagens retiradas de animes e videogames. Em uma atualização da campanha, os organizadores afirmaram que as reclamações foram encaminhadas ao Gabinete do Governo do Japão, que posteriormente compartilhou o caso com o Ministério das Relações Exteriores e a Agência de Assuntos Culturais.