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“Não Somos Descartáveis”: Sindicato do Xbox Reage e Exige Proteção Contra Demissões em Massa

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A crise interna na divisão Xbox ganhou novos contornos nesta semana. Em meio a rumores de uma nova rodada de demissões em larga escala na Microsoft, trabalhadores sindicalizados da empresa passaram a exigir negociações imediatas para garantir proteções contra cortes de pessoal. A mobilização ocorre às vésperas do encerramento do ano fiscal da companhia, marcado para 30 de junho, período apontado por diversas fontes como decisivo para uma ampla reestruturação dentro da divisão de games.

Desde 2022, mais de 3.500 funcionários ligados ao Xbox optaram por se sindicalizar por meio do Communications Workers of America (CWA), sindicato que representa trabalhadores de tecnologia e da indústria dos jogos. Em comunicado enviado à imprensa, a organização destacou que o crescimento da sindicalização ocorreu após o acordo de neutralidade firmado com a Microsoft, que permitiu aos funcionários aderirem ao movimento sem sofrer represálias ou pressões internas.

A iniciativa surge em um momento de forte instabilidade para a divisão. Recentemente, a CEO do Xbox, Asha Sharma, indicou que as margens de lucro da operação não estariam mais em um patamar considerado sustentável, aumentando as preocupações sobre possíveis mudanças estruturais e cortes de custos nos próximos meses.

Sindicatos questionam prioridades da Microsoft

Durante uma coletiva organizada por representantes dos trabalhadores, o vice-presidente do Distrito 9 da CWA, Frank Arce, criticou as demissões já realizadas pela Microsoft e alertou para o impacto humano de uma nova onda de cortes. Segundo ele, os funcionários não aceitarão ser tratados como peças descartáveis em um processo de reorganização corporativa.

Arce também contestou a justificativa financeira apresentada pela companhia. Para o dirigente sindical, a Microsoft possui recursos suficientes para preservar empregos, mas estaria priorizando outras áreas de investimento. Como exemplo, ele citou os recentes aumentos de preços aplicados aos consoles Xbox e acessórios da marca.

Outro participante do evento foi Sherveen Uduwana, representante da United Video Game Workers, que destacou a remuneração recebida pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella, estimada em aproximadamente US$ 96,5 milhões no último ano fiscal.

A artista sênior de ambientes de Diablo IV, Mahreen Fatima, também criticou a estratégia da empresa. Segundo ela, a Microsoft destinou bilhões de dólares ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial nos últimos anos, tornando difícil sustentar a narrativa de que cortes de pessoal seriam inevitáveis para equilibrar as contas.

Rumores apontam para fechamento de estúdios

O clima de apreensão foi ampliado após declarações do jornalista Jason Schreier, que descreveu a situação interna do Xbox como um possível “banho de sangue” envolvendo demissões e até o encerramento de estúdios. Segundo relatos de bastidores, algumas equipes estariam sendo afetadas apesar de terem seguido integralmente as diretrizes estabelecidas pela própria Microsoft.

Entre os nomes citados nos rumores estão a Compulsion Games, responsável por South of Midnight; a Double Fine Productions, que trabalha em projetos como Kiln and Keeper; e a Ninja Theory, conhecida pela franquia Hellblade. Até o momento, a Microsoft não confirmou oficialmente qualquer encerramento dessas equipes.

O caso da Ninja Theory é apontado como um dos mais preocupantes. Informações de bastidores sugerem que a empresa teria apresentado o novo projeto Senua durante o Xbox Games Showcase mesmo já avaliando mudanças profundas na estrutura do estúdio. Caso os rumores se confirmem, existe o receio de que o jogo jamais chegue ao mercado.

Um ano após os maiores cortes da história da Microsoft

A tensão atual é intensificada pelo histórico recente da companhia. Em julho de 2025, a Microsoft promoveu uma das maiores rodadas de demissões de sua história, eliminando cerca de 9.000 postos de trabalho em diferentes divisões da empresa.

Na ocasião, diversos projetos foram impactados ou cancelados, incluindo Everwild e Perfect Dark. Agora, muitos funcionários que sobreviveram àquele processo enfrentam novamente a possibilidade de cortes significativos apenas um ano depois.

O tamanho da operação torna a situação ainda mais relevante para a indústria. Além de franquias como Halo, Gears of War e Forza Horizon, a Microsoft controla gigantes do setor como a Bethesda Softworks, responsável por séries como The Elder Scrolls e Fallout, além da Activision Blizzard, dona de marcas como Call of Duty, World of Warcraft, Diablo e também de fenômenos globais como Minecraft e Candy Crush Saga.

Com o encerramento do ano fiscal se aproximando, a expectativa do mercado é de que a Microsoft esclareça em breve quais serão os próximos passos para a divisão Xbox e para os milhares de profissionais que hoje fazem parte de uma das maiores estruturas de desenvolvimento de jogos do mundo.

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