A Nvidia confirmou que o DLSS 5 será lançado em 3 de setembro para todas as GPUs GeForce RTX Série 50, colocando sua nova tecnologia baseada em inteligência artificial no mercado poucos meses após a controversa revelação realizada no início do ano. A estreia acontecerá no PC com NBA 2K27, que será o primeiro jogo a oferecer suporte oficial ao novo recurso.
Diferentemente das versões anteriores do DLSS, que têm como principal objetivo aumentar o desempenho por meio da reconstrução de imagens renderizadas em resoluções menores, o DLSS 5 adota uma abordagem mais ambiciosa. A tecnologia utiliza uma camada generativa de IA aplicada aos frames já renderizados, buscando modificar determinados elementos da imagem para aproximar o resultado de um visual mais fotorrealista.
A mudança, entretanto, vem gerando críticas entre parte da comunidade. Isso acontece porque o sistema não se limita a reconstruir a imagem: dependendo da implementação, ele também pode alterar características visuais originalmente definidas pelos desenvolvedores. Demonstrações e vazamentos recentes, por exemplo, fizeram jogadores apontarem que alguns personagens podem assumir uma aparência excessivamente artificial, semelhante à aplicação de um filtro de inteligência artificial.
Durante uma apresentação fechada realizada na Gamescom, a Nvidia explicou que o DLSS 5 será uma ferramenta opcional para os desenvolvedores. Portanto, a tecnologia não será ativada automaticamente em jogos que já utilizam versões anteriores do DLSS. Os estúdios precisarão implementar o recurso individualmente e poderão determinar como a IA deverá atuar sobre diferentes elementos das cenas.
DLSS 5 promete combinar IA e informações 3D em tempo real
Segundo a Nvidia, o DLSS 5 representa uma evolução significativa na utilização de inteligência artificial para aprimorar os gráficos dos jogos. A empresa destaca alguns dos principais recursos da tecnologia:
- Guiado por 3D e em 4K em tempo real: o sistema utiliza renderização neural determinística e temporalmente consistente, podendo funcionar em resolução de até 4K em uma única GPU GeForce RTX Série 50.
- O frame renderizado é a base: o modelo foi treinado para preservar a estrutura e a geometria presentes no quadro original.
- Análise inteligente da cena: a IA identifica objetos e elementos semânticos para aplicar iluminação mais realista, dispersão subsuperficial e respostas de materiais mais naturais.
- Controles detalhados para desenvolvedores: os estúdios poderão calibrar o comportamento do modelo neural utilizando estrutura, tonalidade e máscaras semânticas, permitindo preservar melhor a direção artística.
- Integração simplificada: a Nvidia promete uma implementação mais rápida por meio do NVIDIA Streamline ou de um plugin para Unreal Engine 5.
DLSS 5 não será automático e dependerá dos estúdios
Um dos pontos mais importantes é que o DLSS 5 funcionará como uma ferramenta criativa independente, exigindo configuração específica por parte dos desenvolvedores. Assim, um jogo que atualmente utiliza DLSS 4.5, por exemplo, não passará automaticamente a utilizar os recursos visuais da nova tecnologia.
Além disso, os criadores poderão escolher entre diferentes modelos de inteligência artificial e determinar a intensidade das alterações aplicadas às cenas. Dessa forma, a Nvidia pretende oferecer ferramentas suficientes para que cada estúdio encontre um equilíbrio entre o processamento por IA e a identidade visual de seu jogo.
Para os jogadores, entretanto, a utilização será consideravelmente mais simples. Na prática, o DLSS 5 deverá aparecer como uma opção que pode ser ativada ou desativada. Quem não gostar do resultado produzido pela IA em determinados personagens, objetos ou cenários poderá simplesmente optar por não utilizar o recurso.
NBA 2K27 mostra o potencial de desempenho do DLSS 5
Além das mudanças visuais, os primeiros resultados de desempenho divulgados com NBA 2K27 mostram números bastante elevados quando o DLSS 5 está ativado.
Em um teste realizado em 1920 x 1080, com Ray Tracing ativado e preset Ultra, utilizando um Ryzen 7 9800X3D, 64 GB de RAM e Windows 11, a GeForce RTX 5090 alcançou 797 FPS em média. A RTX 5080 ficou em 602 FPS, enquanto a RTX 5070 Ti registrou 530 FPS.
As demais placas também apresentaram números expressivos: a RTX 5070 chegou a 386 FPS, a RTX 5060 Ti alcançou 325 FPS e a RTX 5060 registrou 258 FPS. Os resultados ajudam a demonstrar o potencial da nova tecnologia em conjunto com as GPUs mais recentes da Nvidia, embora seja importante lembrar que esses números são específicos do cenário de teste apresentado.
Versões anteriores do DLSS continuarão disponíveis
Apesar da chegada do DLSS 5, a nova tecnologia não deverá substituir imediatamente o DLSS 4.5. A Nvidia afirmou que os jogadores continuarão podendo selecionar versões diferentes da tecnologia nos menus dos jogos, desde que os respectivos títulos ofereçam suporte a múltiplas gerações do DLSS.
Ainda assim, existe uma questão sobre o futuro da tecnologia. Caso os desenvolvedores passem a priorizar exclusivamente a versão mais recente, os jogadores poderão acabar sendo direcionados ao DLSS 5 para aproveitar determinadas melhorias de desempenho ou recursos gráficos.
Foco inicial está nos jogos com visual fotorrealista
A Nvidia afirma que o DLSS 5 foi desenvolvido principalmente pensando em experiências que buscam um visual mais próximo da realidade. NBA 2K27 é um exemplo particularmente adequado para essa proposta, já que o jogo tenta reproduzir partidas e transmissões esportivas com grande nível de realismo.
Por outro lado, vazamentos e demonstrações também indicam testes da tecnologia em jogos como GTA V e Control, sugerindo que sua utilização poderá ir muito além dos títulos esportivos ou de experiências estritamente fotorrealistas.
No fim, o DLSS 5 inaugura uma nova etapa para a tecnologia da Nvidia, deixando de atuar apenas na reconstrução e geração de frames para assumir um papel mais direto na aparência final das imagens. A promessa é entregar gráficos mais realistas com o auxílio da IA, mas a novidade também abre um debate importante: até que ponto a inteligência artificial deve interferir na direção artística originalmente criada pelos desenvolvedores?

